Usinas de energia solar e eólica podem ter novas regras para cálculo de garantia física em discussão.
O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou uma importante consulta pública com o objetivo de modernizar as metodologias de cálculo da garantia física para usinas de energia solar e eólica no Brasil. A iniciativa, lançada nesta quarta-feira (4), visa aprimorar os procedimentos que definem a quantidade de energia que esses empreendimentos podem comercializar, levando em conta as particularidades operacionais de cada fonte renovável.
A proposta centraliza-se na adaptação dos critérios técnicos para refletir a realidade das usinas solares e eólicas, especialmente no que tange aos cortes de geração, fenômeno conhecido como curtailment. Essa prática, que consiste na redução intencional da produção de energia por motivos técnicos ou de mercado, tem sido um ponto de atenção crescente para o setor, demandando um ajuste nas métricas de garantia física.
Adaptação às Características da Geração Renovável
As discussões em torno da revisão da garantia física para fontes intermitentes como a solar e a eólica são fundamentais para garantir a estabilidade e a previsibilidade do setor elétrico brasileiro. Atualmente, os parâmetros utilizados para a garantia física servem como base para a comercialização de energia pelas usinas. A proposta do MME busca tornar esses cálculos mais precisos, reconhecendo as flutuações inerentes à geração eólica e solar.
O Ministério de Minas e Energia ressalta que a inclusão do tratamento dos cortes de geração no cálculo da média de produção dos empreendimentos é um passo essencial para adequar os procedimentos às características operacionais dessas fontes. Isso significa que a forma como a energia é produzida e as eventuais reduções na geração serão consideradas de maneira mais fidedigna.
Clareza e Preenchimento de Lacunas
Além de incorporar o tema do curtailment, as minutas apresentadas na consulta pública também propõem alterações significativas nos processos de definição, revisão e atualização da garantia física. O objetivo é trazer maior clareza aos critérios técnicos, preencher lacunas existentes nas regulamentações atuais e minimizar as dúvidas que frequentemente surgem entre os diversos agentes do setor elétrico.
A elaboração das metodologias propostas contou com o suporte de estudos aprofundados realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e análises conduzidas pelo próprio MME. Essas pesquisas levaram em consideração as diferenças intrínsecas entre as tecnologias de geração solar e eólica, buscando uma abordagem diferenciada e mais assertiva para cada uma delas.
Avaliação de Impacto e Período de Contribuições
Um componente crucial dessa consulta pública é a Avaliação de Impacto Regulatório (AIR). Este estudo examinará detalhadamente os possíveis efeitos das diferentes alternativas regulatórias em discussão, permitindo uma análise mais completa antes da tomada de decisão. A AIR auxiliará a entender as implicações econômicas, técnicas e ambientais das mudanças propostas.
Os interessados em contribuir para este debate terão um prazo estendido para enviar suas sugestões. As contribuições poderão ser encaminhadas até o dia 18 de dezembro de 2026, através do Portal de Consultas Públicas do MME ou da plataforma Brasil Participativo. As minutas e todos os documentos técnicos que embasam as propostas estão disponíveis para consulta pública nessas plataformas, garantindo transparência ao processo.
A revisão da garantia física para usinas solares e eólicas representa um avanço significativo na modernização do marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Ao se adaptar às realidades das fontes renováveis e ao promover maior clareza nos procedimentos, o MME busca fortalecer a segurança jurídica e a previsibilidade para os investimentos em energia limpa, impulsionando o desenvolvimento sustentável do país.









