A fabricante de pás eólicas Aeris protocolou um pedido de recuperação extrajudicial em São Paulo para renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas, buscando equilibrar sua estrutura financeira.
A Aeris, referência na fabricação de pás para o setor de energia eólica, iniciou oficialmente um processo de recuperação extrajudicial. A medida, protocolada na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo nesta terça-feira, 3 de novembro, surge como uma tentativa estratégica de readequar cerca de R$ 1,52 bilhão em compromissos financeiros.
O movimento ocorre após meses de tratativas com o mercado. A companhia informou que o plano de reestruturação já conta com a anuência de detentores de 42,18% dos débitos envolvidos, superando o requisito legal mínimo de um terço necessário para a abertura do processo. A partir de agora, a empresa dispõe de um prazo de 90 dias para consolidar o apoio de mais da metade dos credores e obter o aval definitivo da Justiça.
Detalhes da reestruturação e impacto operacional
O escopo da negociação foca exclusivamente em dívidas financeiras que não possuem garantias reais ou fiduciárias. Estão preservados do processo os compromissos com fornecedores, encargos trabalhistas e obrigações tributárias, garantindo que a rotina produtiva da companhia não sofra interrupções.
Conforme nota oficial da empresa, as operações continuam normalmente. O objetivo central do plano é viabilizar um novo fôlego financeiro por meio da alteração de prazos, revisão de taxas e a busca por novos aportes. Sobre a continuidade das atividades, a gestão reforçou o compromisso com o mercado:
A Aeris informou que suas operações continuarão normalmente, com a preservação dos contratos de fornecimento necessários à fabricação de pás eólicas.
Cenário desafiador e projeções
O setor eólico brasileiro enfrentou ventos contrários nos últimos anos, marcados pela escassez de novos projetos e pela pressão das altas taxas de juros, que encareceram o crédito e inviabilizaram investimentos em geração. A Aeris, que chegou a reduzir drasticamente sua força de trabalho em 2025 para conter gastos, iniciou um processo de retomada em 2026, com a reativação de linhas de montagem após a conquista de novos contratos de 2 GW.
Apesar da leve melhora na cadência produtiva, os resultados financeiros ainda refletem um período de fragilidade. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida sofreu uma queda acentuada de 46,6% em relação ao ano anterior, e o endividamento líquido encerrou junho em R$ 1,9 bilhão.
A decisão pela via extrajudicial foi ratificada pelo conselho de administração no final de outubro. Embora a medida ainda aguarde a chancela dos acionistas em assembleia, a empresa projeta o processo como um passo necessário para garantir a longevidade dos negócios em um mercado que, apesar da crise recente, ainda aposta no crescimento da energia limpa e na expansão do marco legal offshore para a sustentabilidade do setor nos próximos anos.









