O mercado financeiro brasileiro reabriu em queda após o feriado, com o Ibovespa recuando, o dólar atingindo R$ 5,50 e incertezas fiscais no horizonte.
O mercado financeiro do país iniciou a terça-feira sob forte pressão e aversão ao risco na volta do feriado prolongado. As atenções dos investidores se voltam tanto para a conjuntura fiscal doméstica quanto para o cenário político norte-americano.
Diante dessas incertezas, o Ibovespa opera em terreno negativo, registrando queda em torno de 1% e rondando a casa dos 165 mil pontos. O movimento é acompanhado pela valorização da moeda norte-americana frente ao real.
O Dólar comercial escalou para a faixa de R$ 5,50, enquanto as taxas dos juros futuros estendem seus prêmios em resposta ao clima de cautela institucional.
Perspectivas inflacionárias e taxa Selic em alta
Os temores do mercado foram respaldados pela nova edição do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. O relatório apontou deterioração em indicadores cruciais para os próximos períodos.
A projeção do mercado para a inflação de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%. Como consequência direta da pressão sobre os preços, a estimativa para a taxa Selic no encerramento do ciclo passou de 13,25% para 13,50% ao ano.
Ao mesmo tempo, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) teve sua expectativa reduzida de 1,80% para 1,76%, desenhando um quadro de menor dinamismo econômico.
Os juros futuros avançam, refletindo as incertezas sobre a condução da política econômica e as expectativas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária.
Desempenho dos papéis de peso no mercado
Entre as grandes corporações listadas na B3, a Petrobras figura como uma das principais influências negativas do pregão. As ações ordinárias da estatal despencam 4,70%, enquanto as preferenciais recuam 4,65%.
Em contrapartida, a Vale consegue operar no campo positivo. Mesmo diante da desvalorização do minério de ferro no exterior, os papéis da mineradora avançam 0,63%, sendo cotados a R$ 62,42.
No setor financeiro, o Bradesco se destaca ao remar contra a maré de baixa que atinge parte dos pares. As ações da instituição sobem 0,65%, negociadas a R$ 13,95 na sessão.
Expectativas para os próximos passos
O ambiente de incerteza fiscal somado às movimentações geopolíticas externas deve manter a volatilidade elevada no curto prazo no mercado doméstico.
Os agentes econômicos agora concentram o foco no posicionamento oficial do Copom. A próxima reunião do comitê será determinante para definir o rumo da trajetória dos juros no país.












