O Brasil enfrenta riscos de estagnação na transição energética. Apesar da abundância de energia limpa, barreiras estruturais travam a eletrificação na indústria e mobilidade.
Embora o Brasil disponha de uma matriz de energia renovável farta e com custos competitivos, o país corre o risco de ficar para trás na corrida global rumo à descarbonização. É o que aponta uma análise inédita conduzida pela coalizão internacional We Mean Business, que colocou o território brasileiro na zona de alerta para uma possível estagnação no processo de eletrificação da economia.
Enquanto nações como a China lideram o ranking de implementação tecnológica, o cenário nacional esbarra em entraves logísticos e estruturais. A pesquisa avaliou o ritmo de 16 nações e concluiu que dispor de recursos naturais abundantes não basta para traduzir o potencial verde em vantagens econômicas amplas e imediatas para toda a sociedade.
Gargalos na infraestrutura e desafios na mobilidade
O estudo reconhece importantes avanços regulatórios no país, a exemplo da consolidação do mercado livre de eletricidade e do recém-criado mercado regulado de carbono. No setor de edificações, o Brasil se destaca positivamente graças aos preços atrativos e a políticas consolidadas de eficiência energética, embora ainda exista margem para ampliar o uso elétrico na cocção de alimentos e no aquecimento residencial.
Por outro lado, o calcanhar de Aquiles reside na infraestrutura de distribuição e transmissão de energia. A análise aponta investimentos insuficientes, gargalos operacionais de conexão e taxas elevadas de desperdício. Na frente da mobilidade urbana, muito embora o programa Mover seja visto com bons olhos, a frota de veículos elétricos caminha a passos lentos e permanece restrita aos grandes centros e aos carros de passeio, carecendo de uma rede robusta de recarga.
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A falta de investimentos consistentes em transmissão e os entraves de conexão ameaçam converter nossas vantagens naturais em oportunidades perdidas para o desenvolvimento industrial sustentável.
O cenário industrial e o panorama global
No segmento fabril, o Brasil oferece incentivos financeiros relevantes, mas o aproveitamento de tecnologias elétricas ainda é tímido, sobretudo na substituição de combustíveis fósseis por eletricidade na geração de calor industrial. Esse panorama coloca o Brasil no mesmo grupo de risco de estagnação ao lado de potências e nações como Austrália, Etiópia, Coreia do Sul e Estados Unidos.
A superação desses obstáculos exigirá esforços conjuntos entre o setor público e privado, com foco na modernização das redes e na expansão da infraestrutura de suporte. Sem reformas estruturais na engrenagem energética, o país continuará desperdiçando o potencial transformador de sua energia limpa no mercado interno.












