A geração eólica no Brasil deve igualar o volume de 2025 em novembro, rompendo um ciclo de baixas na safra de ventos deste ano.
A produção de energia eólica no território brasileiro caminha para uma estabilização no final do ano. Após enfrentar meses consecutivos com resultados abaixo do esperado durante a principal temporada produtiva, o setor elétrico nacional projeta um cenário de recuperação para o penúltimo mês de 2026.
Os dados levantados pela plataforma Windx, da Ampere Consultoria, apontam que o fator de capacidade médio deve alcançar 35% na região Nordeste. Já no Sistema Interligado Nacional (SIN), a expectativa é de 34%, números que espelham exatamente o mesmo período do calendário anterior.
Impacto das instabilidades na safra de ventos
O segundo semestre costuma representar o período mais lucrativo para os parques eólicos, impulsionado pelos ventos alísios e pelas características geográficas do Nordeste brasileiro. Contudo, a temporada de 2026 apresentou um comportamento atípico, com quedas expressivas nos índices produtivos entre agosto e outubro na comparação interanual.
Segundo especialistas do setor, o fenômeno foi motivado por perturbações no fluxo eólico geradas pela borda norte da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Essas alterações climáticas reduziram a constância e a força das correntes de ar necessárias para movimentar as turbinas com eficiência máxima.
Bruna Andrelina, da Ampere Consultoria, pontua:
“A passagem dessas perturbações tende a reduzir a intensidade e modificar a trajetória predominante dos ventos, tornando o escoamento menos persistente e regular sobre áreas dos grandes parques eólicos do Nordeste e, consequentemente, limitando o potencial de geração”
Equilíbrio na matriz energética e preços estáveis
Apesar da baixa produtividade das eólicas nos meses anteriores, o mercado não sofreu impactos severos nos custos da eletricidade. O avanço das precipitações nas bacias hidrográficas do Sul e do Sudeste garantiu uma atuação robusta das usinas hidrelétricas, equilibrando a oferta e mantendo a estabilidade financeira do sistema.
Renan Carvalho, especialista em Planejamento Energético, destaca:
“O excesso de chuvas no Sul e Sudeste nesta primavera tem garantido bons níveis de geração nas hidrelétricas dessas regiões, mantendo os preços relativamente baixos”
Para os próximos meses, o monitoramento meteorológico continuará sendo essencial para antecipar oscilações na atmosfera. A harmonia entre a força dos ventos e a disponibilidade hídrica será determinante para assegurar o suprimento energético e a previsibilidade de custos no mercado de curto prazo.













