A PUCRS transformou um estacionamento em usina solar capaz de gerar 50 mil kWh mensais, alimentando uma inovadora máquina de captura direta de CO₂ do ar em Porto Alegre.
A transformação de áreas asfaltadas em fontes de energia limpa ganhou um novo capítulo na capital gaúcha. A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul concluiu recentemente a instalação de estruturas fotovoltaicas sobre dezenas de vagas para veículos, integrando a produção de eletricidade renovável a um ambicioso projeto científico de purificação atmosférica.
Essa iniciativa inovadora redefine o aproveitamento de espaços urbanos ao unir comodidade para motoristas e avanço tecnológico. Com a conclusão das obras detalhada pela instituição, o campus passa a contar com uma usina de pequeno porte integrada diretamente às demandas de laboratórios de vanguarda.
Inovação sustentável no campus
O projeto ocupa a área de estacionamento do Portão 4, situada na Avenida Cristiano Fisher. As estruturas metálicas elevadas, conhecidas como carports, protegem os veículos contra intempéries enquanto sustentam os módulos fotovoltaicos no topo. Ao todo, a intervenção reorganizou o espaço, ampliando a capacidade local e posicionando centenas de módulos sob a cobertura geradora.
A potência nominal máxima do sistema alcança cerca de 400 quilowatts-pico. A projeção técnica indica uma média de 50 mil kWh gerados mensalmente, embora esse volume possa oscilar conforme as condições climáticas e a incidência solar ao longo das estações.
Alimentando a captura de carbono
A energia produzida alimenta diretamente o projeto DAC.SI, desenvolvido pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais em parceria com a Repsol Sinopec Brasil. O laboratório utiliza a tecnologia de captura direta do ar para isolar o dióxido de carbono difuso na atmosfera, um processo que exige grande demanda energética para movimentar ventiladores e operar processos químicos de separação.
Felipe Dalla Vecchia, diretor do IPR, afirmou:
Integrar a geração solar próxima à planta de pesquisa era fundamental para viabilizar testes energéticos mais limpos e avaliar o comportamento do sistema sob diferentes condições de luz.
Nos momentos de pico de irradiação, a eletricidade gerada pelas placas consegue suprir integralmente o funcionamento da planta experimental. Nos períodos nublados ou durante a noite, a rede elétrica tradicional assume o suprimento, garantindo a continuidade ininterrupta das análises científicas.
Próximos passos e pesquisas futuras
Caso ocorra excedente de energia, o sistema prevê direcionar a eletricidade para outras frentes de estudo mantidas pela instituição. Entre as possibilidades estão pesquisas com hidrogênio de baixo carbono, desenvolvimento de baterias e testes voltados para combustíveis sustentáveis aplicados à aviação e ao transporte marítimo.
A iniciativa reflete o uso de recursos de pesquisa e desenvolvimento regulados pela ANP, permitindo testar tecnologias complexas no cenário subtropical brasileiro. Os próximos meses serão decisivos para mensurar o desempenho real do conjunto, consolidando dados sobre a eficiência energética e o impacto climático da tecnologia na região.













