A Alemanha revelou seu planejamento oficial para descarbonizar a matriz energética até 2045, unindo-se ao grupo de nações que priorizam a eliminação de fontes fósseis.
Durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o ministro do meio ambiente alemão, Carsten Schneider, detalhou a estratégia de transição do país. O documento estabelece metas rígidas para substituir o uso de petróleo, carvão e gás natural por alternativas renováveis, consolidando um compromisso que teve tração inicial nas discussões da COP30.
Atualmente, quase dois terços da matriz energética alemã ainda dependem de fontes fósseis, com forte peso das importações. O cenário geopolítico recente evidenciou os riscos dessa dependência externa, transformando a pauta climática em uma questão urgente de segurança econômica para o governo germânico.
Metas de descarbonização e eletrificação dos transportes
O planejamento estabelece que a participação de energias renováveis na eletricidade salte de 55% para 80% até o final desta década. Além disso, a eliminação definitiva do carvão está programada para 2038, podendo ser antecipada para 2035, enquanto a neutralidade climática total deve ser alcançada até 2045.
Carsten Schneider destacou:
Cada vez mais países estão percebendo o quão custosa e perigosa é sua dependência de combustíveis fósseis. Quando a situação no Estreito de Ormuz determina se as pessoas ainda podem arcar com o custo do deslocamento diário para o trabalho, algo está muito errado. Precisamos romper com nossa dependência de combustíveis fósseis — e podemos.
No setor de mobilidade, a eletrificação avança rapidamente impulsionada por subsídios bilionários voltados a veículos de passeio e caminhões elétricos. Paralelamente, o aquecimento urbano e os processos industriais passam por reformas estruturais profundas, priorizando bombas de calor, eficiência energética e o uso futuro de hidrogênio verde.
O panorama internacional e o atraso brasileiro
A iniciativa alemã reflete o avanço de um movimento global articulado voluntariamente após a COP30 em Belém, onde o debate sobre o fim dos fósseis enfrentou forte resistência de potências produtoras. Apesar do engajamento de mais de 100 nações no roteiro internacional liderado pelo diplomata André Corrêa do Lago, o Brasil ainda patina na elaboração de sua própria estratégia nacional.
Enquanto pastas como o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Meio Ambiente divergem sobre a intensidade dos cortes na produção de petróleo e gás, o plano brasileiro segue sem prazo definitivo de lançamento, deixando o país em contraste com o ritmo acelerado de transição adotado na Europa.
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