A transição para a mobilidade elétrica no Brasil impõe desafios ao uso de combustíveis fósseis, mas o setor de energia aposta na força dos biocombustíveis para manter o equilíbrio.
A ascensão dos veículos eletrificados na frota nacional coloca o mercado de derivados de petróleo em uma nova fase de ajustes. Durante a ROG.e 2026, o diretor de Óleo e Gás do Citi Latam, Gabriel Barra, pontuou que, embora o Brasil caminhe para a descarbonização, existe uma coexistência viável entre diferentes fontes de energia no longo prazo.
Embora o Brasil registre uma penetração de 20% de carros eletrificados nas vendas de novos modelos, o impacto no consumo de combustíveis varia conforme a aplicação. O executivo ressalta que o setor de transporte por aplicativo e frotas de táxi — que detêm um volume de rodagem significativamente superior — dita o ritmo real dessa mudança.
O papel estratégico do etanol e da segurança energética
Para o Citi, a dependência do etanol seguirá central, especialmente considerando que o parque de refino brasileiro já opera próximo ao teto de sua capacidade na produção de gasolina. Sem o combustível renovável, a balança comercial seria drasticamente pressionada pela necessidade de maiores importações.
Vai ter espaço para os dois. O etanol é uma produção massificada no Brasil, e não vejo o país sem isso no futuro.
Além do etanol, o analista destacou o biodiesel e o etanol de milho como elementos vitais para a segurança do suprimento nacional. A utilização dessas fontes em uma frota predominantemente flex garante não apenas uma menor pegada de carbono, mas também uma proteção necessária contra a instabilidade dos preços internacionais.
Geopolítica e desafios de mercado
No cenário macroeconômico, o mercado de petróleo apresenta um comportamento peculiar. Apesar de tensões intensas em regiões críticas como o Estreito de Ormuz, a cotação do WTI não sofreu disparadas vertiginosas. Ainda assim, a dependência brasileira de importação de diesel — cerca de 30% da demanda interna — mantém o país sob alerta constante.
O banco trabalha com uma projeção de US$ 65 por barril para o próximo ano, sob a premissa de normalização dos fluxos globais. Contudo, o cenário é monitorado com cautela devido a variáveis imprevisíveis, como o agravamento de conflitos na Ucrânia e as oscilações climáticas provocadas pelo El Niño.
Investimentos e incertezas regulatórias
Um ponto de atenção levantado pelo executivo diz respeito à segurança jurídica para novos projetos. A manutenção de um imposto de exportação de 12% sobre a receita das petroleiras é vista como um obstáculo. Segundo Gabriel Barra, alterações repentinas nas regras fiscais inibem o fluxo de capital para exploração e produção.
A estratégia para a próxima década envolve um esforço conjunto entre majors e empresas independentes. Com a produção nacional atingindo um patamar de crescimento esperado até 2030, o foco deve se manter na exploração de novas fronteiras e na recuperação de campos maduros para garantir que o setor continue sendo um motor robusto para a economia brasileira.















