Acelerando a transição energética: O caminho para a meta climática de 2030 exige mais que o dobro da expansão das renováveis.
A corrida global para combater as mudanças climáticas enfrenta um desafio significativo: a expansão das energias renováveis precisa ser mais do que dobrada para alcançar o ambicioso objetivo estabelecido para 2030. Embora 2023 tenha registrado um recorde na adoção de fontes de energia limpa, o ritmo atual é insuficiente para atender às metas climáticas globais.
Durante a COP28, realizada em Dubai, mais de cem nações comprometeram-se a triplicar a capacidade de energia renovável mundial até o final desta década. Este acordo reflete a urgência em descarbonizar a economia global e mitigar os efeitos do aquecimento do planeta. No entanto, os dados mais recentes indicam que a implementação efetiva ainda está aquém do esperado, demandando um esforço conjunto e acelerado.
Capacidade Instalada e o Déficit para 2030
O relatório conjunto, elaborado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), pela presidência da COP31 e pela Aliança Global de Energias Renováveis, revela que a capacidade total instalada de energia renovável alcançou 5,15 terawatts (TW) ao final de 2025. Este número representa menos da metade da meta de 11,2 TW estipulada para 2030.
Para atingir este patamar, o mundo precisaria adicionar, em média, cerca de 1.200 gigawatts (GW) de capacidade anualmente até o final da década, um salto considerável em relação aos pouco mais de 690 GW adicionados no último ano.
A eletrificação de diversos setores é vista como um pilar fundamental para essa transição. Isso implica substituir tecnologias que dependem diretamente da queima de combustíveis fósseis, como sistemas de aquecimento a gás e veículos a gasolina, por alternativas elétricas mais limpas. Contudo, para que essa eletrificação contribua efetivamente para o combate às mudanças climáticas, a eletricidade gerada deve provir prioritariamente de fontes renováveis, como a solar e a eólica.
Eficiência Energética e Investimentos em Rede: Gargalos Críticos
Além da expansão da capacidade renovável, a eficiência energética e a infraestrutura de rede elétrica apresentam-se como pontos críticos. As melhorias na distribuição de energia e na redução do desperdício estão progredindo a um ritmo inferior ao necessário. O índice de melhoria da eficiência energética em 2025 ficou em cerca de 2%, abaixo da meta anual de 4% estipulada para cumprir o compromisso da COP28.
Francesco La Camera, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável, afirmou:
As energias renováveis ainda podem preencher a lacuna até 2030, mas a eficiência energética está ficando para trás. A demanda por eletricidade está crescendo mais rápido do que o esperado e a infraestrutura da rede não conseguiu acompanhar o ritmo.
A infraestrutura de rede, em particular, demanda investimentos massivos. Entre 2026 e 2030, são necessários quase US$ 1 trilhão anualmente para modernização e expansão da rede, um montante significativamente superior aos US$ 525 bilhões investidos em 2025.
Um Chamado à Ação Econômica Nacional
Ben Backwell, presidente da Aliança Global de Energias Renováveis, ressalta a necessidade de os governos colocarem as energias renováveis como uma prioridade econômica nacional. Para isso, é crucial o investimento na expansão das redes elétricas, na implantação de sistemas de armazenamento de energia e na eletrificação de residências, transportes e indústrias.
A expectativa é que a COP31, sediada na Turquia, aprofunde as discussões sobre a expansão do uso da eletricidade em mais setores e avalie a adoção voluntária de uma nova meta para 2035: que 35% do consumo final de energia global seja proveniente de fontes limpas.
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