O presidente de Moçambique defende na ROG.e 2026 uma transição energética pragmática, priorizando o desenvolvimento econômico, a redução da pobreza energética e parcerias estratégicas com o setor de óleo e gás brasileiro.
Durante a abertura da ROG.e 2026, realizada no Rio de Janeiro sob a organização do IBP, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, apresentou uma visão estratégica sobre o futuro do setor energético. O mandatário defendeu a necessidade de uma transição energética que seja, acima de tudo, justa e inclusiva para as nações em desenvolvimento, permitindo que utilizem seus próprios recursos naturais como alavanca para o progresso social e a industrialização.
O evento, que contou com a presença de lideranças como a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, serviu como palco para um debate sobre como conciliar a meta global de descarbonização com as urgentes necessidades de infraestrutura energética na África. Para Daniel Chapo, o caminho para o desenvolvimento sustentável passa pelo aproveitamento do gás natural e do petróleo como fontes de energia de transição.
O papel do gás natural na soberania energética
O presidente enfatizou que a disparidade no acesso à eletricidade permanece um dos maiores desafios do continente africano. Segundo o líder moçambicano, não é possível falar em justiça climática mantendo parte do globo na pobreza energética.
Não haverá transição energética totalmente justa se houver energia limpa pra uns e pobreza energética para outros.
Para o governo de Moçambique, a estratégia é pragmática: utilizar as vastas reservas de gás natural não apenas para exportação, mas como insumo fundamental para a produção de fertilizantes e o fortalecimento de sua base industrial. Esse modelo visa garantir a segurança energética interna ao mesmo tempo em que promove a geração de empregos e o crescimento do PIB local.
Parceria estratégica com o Brasil
O estreitamento dos laços entre Brasil e Moçambique foi um dos pontos altos do discurso. Daniel Chapo destacou que o Brasil possui um conhecimento técnico de classe mundial, especialmente em exploração e produção em águas profundas e logística offshore, competências que se alinham perfeitamente às ambições de Moçambique.
O diálogo entre a ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique) e a Petrobras é visto como um pilar central para esse novo ciclo de cooperação. O presidente reiterou o convite para que empresas brasileiras ampliem suas operações no país, reforçando que o modelo desejado vai além de uma simples relação comercial de fornecimento.
Queremos empresas brasileiras em Moçambique, mas queremos também empresas moçambicanas a crescer com empresas brasileiras. Não procuramos apenas fornecedores. Procuramos parceiros.
Projeções de investimento e desenvolvimento
Olhando para o futuro, Moçambique prepara-se para licitar novas áreas de pesquisa e exploração. O governo busca atrair capital externo que possibilite o mapeamento de novas reservas e a expansão de infraestruturas estratégicas. A aposta é que o intercâmbio de expertise brasileira, consolidada em décadas de atuação da Petrobras, seja o diferencial para tornar os projetos moçambicanos mais eficientes e competitivos no mercado global.
A mensagem de Daniel Chapo na ROG.e 2026 deixa claro que a jornada rumo à energia limpa em Moçambique será trilhada com responsabilidade, utilizando os combustíveis fósseis como degraus para a modernização da infraestrutura do país. Essa abordagem pragmática projeta um futuro onde a soberania energética e a colaboração internacional caminham juntas para superar desigualdades regionais.
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