O Brasil recuou para a quinta posição no ranking mundial de energia solar, enfrentando desafios regulatórios e macroeconômicos que frearam o ritmo de expansão do setor fotovoltaico em 2025.
A transição energética brasileira encontrou um obstáculo importante no último ano. Segundo o relatório Global Market Outlook For Solar Power 2026 – 2030, apresentado pela SolarPower Europe durante a Intersolar Europe, o país deixou o grupo dos quatro maiores mercados fotovoltaicos do mundo. Com a adição de 14,5 GWp em 2025, o Brasil agora ocupa o quinto lugar, sendo superado por gigantes como China, Índia, Estados Unidos e Alemanha.
O resultado representa uma retração de 23% em comparação aos 18,9 GWp registrados no ano anterior. A análise, que contou com a colaboração técnica da ABSOLAR, reflete a soma de grandes usinas solares e sistemas de geração distribuída, evidenciando que, apesar da relevância da fonte, fatores externos e internos têm dificultado a manutenção do ritmo acelerado de crescimento observado anteriormente.
Barreiras que travam o setor
O desempenho aquém do esperado é atribuído a uma combinação complexa de fatores. Entre os principais entraves estão as restrições na conexão de novos projetos, justificadas por limitações na infraestrutura das redes elétricas e questões de fluxo de potência, além de cortes de geração renovável sem a devida compensação aos investidores.
O cenário econômico também impôs dificuldades adicionais. O custo elevado do capital, a instabilidade da moeda americana e o aumento das alíquotas sobre a importação de componentes fotovoltaicos encareceram os projetos, pressionando a viabilidade de novas instalações em todo o território nacional.
O sistema elétrico nacional cresceu em geração renovável, mas sem o correspondente investimento em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia elétrica e controle de carga.
Caminhos para a retomada
Mesmo com a perda de posição no ranking global, a fonte solar permanece como o segundo pilar da matriz elétrica do Brasil, totalizando 70 GWac em operação. O setor já acumula investimentos superiores a R$ 305 bilhões e foi responsável pela criação de mais de 2,1 milhões de empregos verdes desde 2012, consolidando-se como um motor econômico e de sustentabilidade.
Para reverter o atual cenário de desaceleração, o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, defende uma articulação coordenada entre o Ministério de Minas e Energia, a ANEEL e o ONS. A agenda proposta foca na modernização regulatória, com destaque para a implementação urgente de leilões de armazenamento de energia e a redução da carga tributária sobre baterias, medidas consideradas essenciais para garantir que a rede consiga absorver o excedente de energia limpa produzida pelo país.















