O varejo brasileiro prepara ajustes logísticos para o segundo semestre de 2026, com o fenômeno “Super El Niño” prometendo elevar significativamente o consumo de bebidas geladas e água.
A proximidade de um período de forte influência do fenômeno climático Super El Niño está forçando o varejo nacional a repensar suas estratégias de estoque e distribuição. A previsão de temperaturas elevadas entre a primavera e o início do verão de 2026 coloca os termômetros como os principais balizadores da demanda dos consumidores brasileiros.
Um levantamento inédito realizado pela Scanntech revela a correlação direta entre o clima e o comportamento de compra. Ao analisar dados de 85% do mercado varejista de alimentos em conjunto com registros de 600 estações do INMET, ficou claro que qualquer variação positiva no calor impulsiona, quase instantaneamente, a saída de produtos voltados à hidratação e refrescância.
A matemática do calor no varejo
O estudo aponta que a sensibilidade do mercado é notável: para cada aumento de 1 °C na temperatura média, o volume de vendas de bebidas climatizadas cresce 4,1%. O impacto escala de forma agressiva conforme o calor aperta, atingindo uma alta de 12,8% quando os termômetros sobem 3 °C, especialmente ao se aproximarem da marca dos 30 °C.
A mudança nos padrões climáticos não apenas altera o comportamento de compra, mas redefine a eficiência logística necessária para que os estoques de produtos de giro rápido atendam a uma demanda subitamente aquecida
Este cenário exige que distribuidoras e pontos de venda antecipem a reposição de itens essenciais. Enquanto produtos voltados para o resfriamento ganham espaço nas gôndolas, o setor de bebidas de inverno enfrenta um movimento contrário.
Mudanças no mix de produtos
A tendência de consumo mostra que os brasileiros estão priorizando o frescor. A água lidera o ranking de crescimento com 5,7%, seguida de perto pelos isotônicos (+5,4%) e pela cerveja (+5,0%). Até o mercado de gelo (+4,9%) e energéticos (+3,8%) deve sentir o reflexo do calor intenso.
Em contrapartida, o mercado de bebidas tradicionalmente associadas a climas mais amenos deve sofrer retração. O relatório indica quedas significativas para categorias como vinhos e conhaques, que apresentam baixa de 3,2%, seguidos pela tequila, licores e destilados, como uísque e cachaça, que também perdem espaço na preferência do consumidor durante os picos de calor.
A expectativa para o próximo semestre é que o varejo mantenha um monitoramento rigoroso das previsões meteorológicas. Com o impacto climático ditando o ritmo das vendas, a capacidade de resposta das redes de distribuição será o diferencial para garantir a disponibilidade de produtos e evitar rupturas em uma temporada que promete ser historicamente quente.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Brasil se aproxima de um milhão de carros elétricos em circulação
· Economia
LEIA MAIS
Brasil firma empréstimo de US$ 1 bilhão com BID para financiar transição ecológica
· Economia
LEIA MAIS
Amazon e ID Logistics inauguram novo centro de distribuição no Paraná para ampliar entregas
· Economia
LEIA MAIS














