A ABEEólica lançou um manifesto exigindo compromissos presidenciais para reduzir o desperdício de energia renovável no Brasil, visando frear os prejuízos bilionários causados pelos cortes no despacho.
O setor de energia eólica no Brasil alcançou um momento decisivo. A ABEEólica apresentou recentemente a agenda “Ventos para Transformar o Brasil”, um documento estratégico que estabelece diretrizes fundamentais para os próximos quatro anos.
O ponto central da reivindicação é a exigência de que os candidatos à Presidência da República firmem um compromisso formal para a criação de um Plano Nacional voltado à mitigação do curtailment, o corte forçado da geração de fontes renováveis por restrições na rede.
A iniciativa surge em um cenário onde o desperdício de energia limpa tem se tornado um gargalo crítico. Segundo o manifesto, a infraestrutura atual sofre com atrasos em obras de transmissão e uma limitada flexibilidade operativa no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Isso acaba limitando o potencial de expansão das energias renováveis e comprometendo a sustentabilidade financeira dos projetos em operação.
Estrutura de combate ao desperdício energético
Para enfrentar esse desafio, a ABEEólica propõe uma estratégia estruturada em três pilares essenciais: a transparência total no diagnóstico das causas dos cortes, o estabelecimento de critérios técnicos objetivos para a classificação dessas restrições e, sobretudo, a criação de metas anuais que possam ser auditadas pelo mercado e pela sociedade.
O compromisso com metas claras é o único caminho para garantir que a transição energética brasileira não seja interrompida por ineficiências logísticas que poderiam ser evitadas com planejamento e vontade política.
Além do combate direto ao curtailment, o documento da associação aponta para a modernização do setor elétrico. Entre as recomendações de longo prazo, destacam-se o fortalecimento da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o amadurecimento do marco regulatório para tecnologias de armazenamento de energia.
Também propõe um esforço redobrado na atração de investimentos para data centers e o desenvolvimento da cadeia produtiva do hidrogênio verde no país.
O custo do apagão renovável
Os números apresentados pela entidade revelam a urgência da pauta. Dados recentes do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) demonstram que as restrições de despacho para fontes eólicas e solares registraram um salto de 21% entre janeiro e agosto de 2026.
Esse volume, que atingiu 4.12 GW médios de perdas, traz uma preocupação econômica imediata: o impacto financeiro pode ultrapassar a marca de R$ 8 bilhões, um prejuízo que recai sobre o ecossistema elétrico nacional.
A pressão da ABEEólica busca transformar esse cenário, garantindo que o potencial energético do Brasil seja plenamente aproveitado. A expectativa é que, ao colocar o tema no debate eleitoral, o próximo governo priorize os investimentos em transmissão e na modernização do sistema.
Isso assegurará segurança energética e competitividade para a economia brasileira nos próximos anos.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Silveira aprova gás natural como fonte para data centers sob Redata
· Política Energética
LEIA MAIS
Senado aprova marco dos minerais críticos e texto segue para sanção presidencial
· Instagram
LEIA MAIS
Abegás lança agenda estratégica com propostas para os Presidenciáveis das Eleições-2026
· Instagram
LEIA MAIS















