A ABEEólica apresentou um plano estratégico aos candidatos à presidência visando reduzir o desperdício de energia renovável e modernizar o sistema elétrico nacional até 2030.
A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) colocou o combate ao curtailment — o corte compulsório na geração de energia limpa — no topo da agenda política para o próximo mandato presidencial.
No documento “Ventos para Transformar o Brasil”, a entidade alerta que restrições na rede de transmissão e a falta de flexibilidade no Sistema Interligado Nacional (SIN) colocam em risco a viabilidade econômica de novos projetos de geração eólica e solar.
O objetivo principal da proposta é a criação de um plano nacional com metas anuais obrigatórias para mitigar as perdas de geração.
Segundo a ABEEólica, o cenário atual, marcado pelo crescimento rápido das fontes renováveis e gargalos estruturais, exige uma resposta coordenada que vá além da simples expansão física das linhas de transmissão, englobando melhorias operacionais e a introdução de novas tecnologias.
Tecnologia e Regulação em Foco
Um dos pontos mais críticos da proposta é a criação de um marco regulatório robusto para sistemas de armazenamento de energia via baterias, os chamados BESS (Battery Energy Storage Systems).
Para a associação, é urgente definir diretrizes que reconheçam o valor desses ativos na prestação de serviços auxiliares e no suporte à rede, além de evitar a bitributação sobre o uso da infraestrutura, uma vez que as baterias operam tanto como carga quanto como geradoras.
A flexibilidade do sistema tornou-se o novo diferencial competitivo. Sem uma regulação clara que remunere adequadamente o armazenamento e incentive a demanda, o país desperdiça energia barata enquanto enfrenta desafios operacionais.
Planejamento Integrado e Novas Demandas
A associação também defende o fortalecimento institucional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para promover um mapeamento mais preciso das capacidades de escoamento do SIN.
A lógica é que o planejamento da expansão da geração caminhe de mãos dadas com a infraestrutura, permitindo que investidores identifiquem antecipadamente os gargalos e evitem alocar novos projetos em regiões já saturadas.
Para equilibrar a oferta abundante em certas áreas, o plano sugere o fomento à instalação de novas cargas, como data centers, em regiões com superávit de geração.
A ideia é criar um ecossistema onde a demanda industrial acompanhe a oferta renovável, integrando políticas energéticas a metas de desenvolvimento industrial e ao avanço do hidrogênio de baixa emissão.
O próximo ciclo de planejamento do governo, entre 2027 e 2030, será determinante para consolidar essas mudanças.
Ao transformar o desafio do curtailment em uma oportunidade de modernização, o setor busca não apenas ampliar a capacidade instalada, mas garantir que a energia gerada chegue ao consumidor de forma eficiente e sustentável, alinhando o Brasil às melhores práticas globais de transição energética.
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