A Aneel liderará um grupo de trabalho para identificar sistemas de MMGD instalados sem registro oficial, buscando corrigir distorções no planejamento e aumentar a segurança do setor elétrico.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) oficializou a criação de um grupo de trabalho focado em mapear instalações de micro e minigeração distribuída (MMGD) operando à revelia das normas. Sob a coordenação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a iniciativa visa estancar a lacuna de dados que compromete a previsibilidade e a gestão operacional das redes de distribuição no país.
A decisão foi motivada pela urgência em alinhar as projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) com a realidade das redes. Enquanto o ONS estimou uma potência não contabilizada entre 11,8 GW e 14,6 GW através de métodos indiretos de monitoramento de carga, levantamentos de campo da Aneel em 19 concessionárias apontaram irregularidades em quase 60% das inspeções realizadas até o momento.
Monitoramento e Fiscalização
O novo grupo de trabalho ampliará o papel das distribuidoras, que atuarão como agentes ativos na detecção e triagem de instalações clandestinas. A Aneel também iniciará uma frente de fiscalização específica para avaliar como as empresas estão lidando com a regularização e quais os impactos reais desses sistemas “invisíveis” para a estabilidade da distribuição de energia.
A necessidade de transparência nos dados de geração distribuída tornou-se um pilar estratégico, especialmente após o ONS precisar realizar cortes emergenciais de carga para equilibrar a rede durante períodos de baixa demanda e alta produção renovável.
Impacto no Sistema Elétrico
A desatualização das bases oficiais traz riscos técnicos crescentes. Em agosto, o sistema enfrentou o acionamento de planos de contingência, com cortes de até 2 GW para evitar sobrecargas e desequilíbrios na rede, evidenciando que a penetração da energia solar e de outras fontes renováveis precisa de um controle mais rigoroso.
O CMSE avança, simultaneamente, na implementação de medidas estruturais para gerir a geração conectada à rede. Com a maior parte das ações de monitoramento já concluídas, o foco agora se volta para a integração dessas unidades à base oficial, garantindo que o crescimento da transição energética brasileira ocorra de forma segura, planejada e tecnicamente sustentável.

















