Em uma nova rodada de negociações no setor de energia solar, a Energisa avança para adquirir cinco usinas de micro e minigeração distribuída (MMGD) pertencentes à Matrix Energia.
A movimentação ocorre após o fracasso de um acordo anterior entre a Matrix e a Thopen, que não conseguiu honrar a compra integral de um amplo portfólio solar anunciado no ano passado. Com a nova transação, a Energisa busca absorver ativos localizados no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, fortalecendo sua posição estratégica no mercado de geração descentralizada.
O pedido de aprovação da operação foi protocolado junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no final de agosto. A proposta engloba a totalidade do capital social das sociedades que detêm as usinas Água Boa, Feliz Natal, Vera, Naviraí e Nova Mutum.
O fim do ciclo com a Thopen
O negócio original, firmado em 2025, previa um investimento de R$ 556 milhões por um pacote de 45 usinas solares. No entanto, o plano encontrou entraves severos. Segundo o CEO da Matrix, Wilson Ferreira Jr., a Thopen conseguiu efetivar a aquisição de apenas 30 MW — cerca de um quarto do total acordado —, falhando na obtenção de garantias financeiras necessárias para dar sequência ao contrato de compra e venda (SPA).
Wilson Ferreira Jr. afirmou:
Um quarto ela conseguiu honrar, o restante não. O SPA foi desfeito e a Matrix retomou esse processo de venda.
A Thopen, por sua vez, enfrenta atualmente um processo de Recuperação Judicial, o que reconfigurou o cenário de seus compromissos e garantias no mercado de energia.
Estratégia da Energisa e o futuro da Matrix
A Energisa caracterizou a aquisição como uma oportunidade pontual de mercado. Por meio da (re)energisa, seu braço de serviços, a companhia destaca um crescimento robusto de 147% no Ebitda entre 2025 e 2026, consolidando-se como um player relevante em nove estados brasileiros.
Para a Matrix, o movimento não representa um abandono da MMGD. A empresa mantém o foco em uma plataforma digital de mudança de titularidade, operando via usinas arrendadas para seus mais de 21 mil clientes. A expectativa é que a alienação das usinas próprias continue, visto que a empresa já sinalizou estar em tratativas com outros interessados para os ativos remanescentes em estados como Paraná, São Paulo e Goiás.
Apesar da reestruturação interna pela qual a Matrix passa, Ferreira Jr. garante que a venda dos parques solares é uma estratégia desenhada desde o ano passado, desvinculada de dificuldades operacionais, ressaltando que o braço de comercialização da companhia segue em situação confortável para os próximos anos.















