O Ibama barrou o plano atual da usina Candiota III e exige estratégias concretas de descarbonização e metas claras de redução de poluentes da Âmbar Energia.
O licenciamento ambiental da usina termelétrica a carvão Candiota III, localizada no Rio Grande do Sul, enfrenta um novo entrave. O Ibama emitiu um parecer técnico classificando como incompletas as análises climáticas enviadas pela Âmbar Energia — braço do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O órgão federal agora exige que a empresa apresente um planejamento robusto voltado à mitigação de danos ambientais e adaptação às mudanças do clima.
A unidade, adquirida pela Âmbar em 2024 após negociação com a Axia Energia (antiga Eletrobras), opera com 350 MW de potência. Embora o Ibama tenha reconhecido que a companhia conseguiu mapear e quantificar o volume de emissões da usina, o documento foi criticado por se limitar a um levantamento estatístico.
O órgão pontuou que o estudo falha em discutir como a operação da planta se alinha às metas climáticas nacionais.
Exigências por uma operação mais sustentável
Para o órgão regulador, o projeto atual carece de ambição. O parecer aponta que a empresa não apresentou cenários futuros para a gestão de poluentes ou um roteiro estruturado para diminuir sua pegada de carbono.
A única estratégia de mitigação mencionada pela operadora, focada na biofixação de CO₂ por meio de microalgas, foi considerada insuficiente, uma vez que se trata de uma condicionante já existente e em fase de maturação.
Em nota oficial, o Ibama destacou a necessidade urgente de uma mudança de postura:
A continuidade operacional da UTE Candiota III Fase C depende de uma reorientação substancial no trato da questão climática no licenciamento ambiental. Com a superveniência da emergência climática que traz graves riscos ambientais e à saúde, a viabilidade ambiental do empreendimento passa a requerer o estabelecimento de uma ação climática robusta e assertiva, em horizontes de curto e médio prazos.
Desempenho energético e impacto ambiental
Dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) colocam a usina de Candiota III em uma posição delicada. A unidade figura como a quarta maior emissora de gases de efeito estufa entre as termelétricas monitoradas.
A usina apresenta uma das taxas de emissão mais elevadas do setor: 1.380 toneladas de CO₂ equivalente por GWh. Além disso, a planta ostenta um baixo nível de eficiência energética (26%), ocupando o penúltimo lugar em um ranking de 55 usinas fósseis.
Diante do cenário, a Âmbar Energia terá de reformular sua proposta, incluindo metas de neutralização progressiva, gestão de riscos climáticos e mecanismos transparentes de divulgação de desempenho.
Em resposta, a companhia afirmou que cooperará com as exigências:
A usina opera em conformidade com a legislação vigente, dentro dos parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes, e sua licença de operação permanece em vigor, sem comprometimento à segurança energética do Sistema Interligado Nacional.
O futuro da operação de Candiota III depende agora dessa adequação, que deve elevar o rigor do monitoramento e alinhar a produção de energia às expectativas regulatórias do país.
















