A Safira Energia ganha fôlego judicial para renegociar dívidas bilionárias e evitar recuperação judicial.
O setor de comercialização de energia elétrica no Brasil enfrenta mais um abalo. A empresa Safira Energia acaba de obter um respiro judicial significativo, garantindo uma proteção de 60 dias contra cobranças e execuções. O objetivo é clear: buscar um acordo para saldar uma dívida expressiva de R$ 357,5 milhões com seus credores, em um cenário de forte escassez de liquidez que já abalou diversas outras companhias do ramo.
Essa decisão, concedida pela Justiça de São Paulo, visa dar à Safira e outras três empresas do seu grupo comercializador o tempo necessário para negociar. Durante este período de suspensão de exigibilidade de créditos e medidas de constrição patrimonial, a empresa busca uma mediação eficaz para evitar a iminência de um processo de recuperação judicial ou extrajudicial.
Proteção Judicial em Meio a Crise no Setor
A 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo deferiu a liminar, atendendo ao pleito das empresas Safira Administração e Comercialização de Energia, Safira Artemis Comercialização de Energia, Safira Trading e Geração de Energia e Safira Varejo Comercialização de Energia. Todas atuam ativamente no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e são participantes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Em sua argumentação, a Safira elencou os fatores que desencadearam sua crise econômico-financeira. Destacou a falta de liquidez no mercado, a alta volatilidade nos preços da energia, alterações nas regras de precificação e o encarecimento do crédito como os principais vilões que impactaram seu fluxo de caixa e a sustentabilidade das operações.
Deterioração Financeira e Impacto no Crédito
As demonstrações financeiras apresentadas pela Safira ao tribunal pintam um quadro de deterioração expressiva. As quatro sociedades, que apresentavam resultados positivos em 2024, registraram prejuízo líquido no ano seguinte. Paralelamente, o saldo de caixa e equivalentes de caixa do grupo sofreu uma queda drástica, recuando de aproximadamente R$ 27,5 milhões para R$ 14,2 milhões em um curto período.
O juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, ao analisar os documentos, reconheceu que os dados contábeis corroboram a alegação de crise de liquidez por parte da Safira. A decisão também ressalta que os problemas financeiros já se refletiam na capacidade de crédito da empresa, citando protestos de títulos do Banco Daycoval devido à falta de pagamento, somando cerca de R$ 667,6 mil.
Conforme expresso no documento judicial, a ausência de uma proteção legal poderia intensificar a situação, com o agravamento das obrigações futuras e o comprometimento do processo de negociação em curso.
Próximos Passos: Acordo ou Recuperação Judicial
A liminar estabelece um prazo de dois meses para que a Safira conduza suas negociações e tente chegar a um acordo com os credores. Ao final deste período, a empresa deverá apresentar um pedido formal, que poderá ser a homologação de um plano de recuperação extrajudicial ou, alternativamente, um pedido de recuperação judicial. A falha em apresentar uma dessas opções resultará na perda da proteção concedida.
Este episódio se insere em um contexto mais amplo de instabilidade no segmento de comercialização de energia. Nos últimos anos, o setor tem visto um número crescente de empresas buscando mecanismos de reestruturação ou proteção judicial, diante de um cenário desafiador marcado por menor liquidez, flutuações de preços e maiores exigências de crédito. Levantamentos indicam que a debandada de comercializadoras já gerou um passivo bilionário para o mercado.
A CNN Brasil buscou contato com a Safira Energia para obter um posicionamento, mas a empresa ainda não se manifestou sobre o caso.
















