O futuro da energia em São Paulo: gargalos na rede podem limitar acesso a novas cargas até 2029.
O crescimento acelerado do consumo de energia em São Paulo, impulsionado por setores como o de data centers, está encontrando barreiras significativas na infraestrutura de transmissão. Uma análise recente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que diversos pontos cruciais da rede paulista podem atingir sua capacidade máxima até 2029, restringindo a conexão de novas demandas energéticas.
Esta descoberta, detalhada na Nota Técnica de Quantitativos da Capacidade Remanescente do Sistema Interligado Nacional (SIN), revela um cenário onde a infraestrutura existente pode não ser suficiente para suportar o avanço tecnológico e industrial planejado para o estado. Embora o interesse por novas conexões seja evidente, a capacidade da rede em acomodar esses novos consumidores é o ponto de atenção.
Desafios de Conexão em Pontos Estratégicos
A avaliação do ONS, referente à 1ª Temporada de Acesso de 2026, identifica uma capacidade remanescente nula em vários pontos de conexão em São Paulo para o horizonte de 2029. Locais como Jaguara–Luiz Carlos Barreto de Carvalho, Anhanguera, Cabreúva, Campinas, Cubatão, Edgard de Souza, Gerdau, Ibiúna, Replan, Solvay e Sumaré estão entre os que apresentam limitações. Esta situação pode impactar diretamente o desenvolvimento de grandes empreendimentos que demandam um alto suprimento de energia.
Esses resultados não refletem uma falta de interesse por parte dos consumidores, mas sim um desafio intrínseco à capacidade da infraestrutura de transmissão de suportar o aumento de demanda. A dificuldade em expandir o acesso reside na adequação da rede às novas condições operacionais exigidas pelo sistema.
O Impacto Crescente dos Data Centers e IA
O setor de data centers, em particular, tem demonstrado um crescimento exponencial na região. Gustavo Estrella, CEO da CPFL, informou recentemente à CNN que a demanda por eletricidade para data centers na Grande Campinas aumentou 24% entre 2025 e 2026. Esse crescimento é amplamente impulsionado pela instalação de infraestruturas dedicadas à inteligência artificial e serviços de computação em nuvem, intensificando a pressão sobre a rede elétrica.
Exemplos concretos ilustram a gravidade do problema. No ponto Jaguara–Luiz Carlos Barreto de Carvalho, há um registro de 432 MW de Uso do Sistema de Transmissão (Must) previsto para 2029, contrastando com uma capacidade remanescente nula. Situações semelhantes ocorrem em Anhanguera (45 MW cadastrados) e Cabreúva (144 MW cadastrados), ambas com capacidade zero projetada. As restrições já se manifestam em anos anteriores, com pontos como Edgard de Souza e Solvay apresentando capacidade remanescente nula para 2027 e 2028.
Sobrecargas e Violações de Tensão: Um Alerta Técnico
A análise técnica do ONS também aponta para sobrecargas em componentes essenciais da rede paulista, como linhas de transmissão e transformadores. Restrições na linha 345 kV Guarulhos–Campinas, e em transformadores de Tijuco Preto, Fernão Dias e Ribeirão Preto, além de circuitos envolvendo Araraquara, Sumaré e Santa Bárbara D’Oeste, são detalhados no estudo. Em Campinas, especificamente, foram identificadas violações dos limites mínimos de tensão, um indicador crítico da sobrecarga do sistema.
O Potencial Transformador dos Reforços na Rede
Apesar do cenário desafiador, há um horizonte de otimismo com a implementação de obras de expansão e reforço na infraestrutura de transmissão. O ONS considera em suas projeções futuras, como na avaliação “2029+”, a entrada em operação de novas instalações. Essas intervenções, que incluem novos transformadores e reforços em linhas de alta tensão, são cruciais para viabilizar a conexão das cargas energéticas demandadas.
A concretização desses reforços na Rede Básica é fundamental para garantir o suprimento energético necessário ao desenvolvimento econômico e tecnológico de São Paulo. Enquanto algumas obras já estão autorizadas, outras ainda aguardam a devida outorga, evidenciando a necessidade de agilidade nos processos para assegurar a expansão da rede e a sustentabilidade energética do estado.
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