O Tanque Grande, no Santuário do Caraça, esconde a estrutura da segunda usina hidrelétrica de Minas Gerais. Com mais de 130 anos, o local une pioneirismo tecnológico, história preservada e uma natureza exuberante para visitantes.
Entre as imponentes montanhas da Serra do Espinhaço, a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte, o Santuário do Caraça guarda um capítulo fundamental da história da infraestrutura brasileira.
Sob as águas serenas do Tanque Grande, repousa a barragem de 1893, marco que deu origem à segunda usina hidrelétrica de Minas Gerais.
Mais do que um marco da engenharia do século XIX, o lago hoje compõe uma das paisagens mais deslumbrantes da reserva, sendo um ponto de parada obrigatória para quem busca conexão com a natureza e o passado histórico da região.
Pioneirismo em meio à serra
A trajetória do local remonta a 1774, com a fundação da ermida pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora, que posteriormente deu vida ao prestigiado Colégio do Caraça.
Foi nesse ambiente educacional, sob a tutela dos padres lazaristas, que a tecnologia de ponta da época foi implementada. Em 20 de novembro de 1893, o complexo acendeu sua própria luz elétrica, superando a escuridão que dominava grande parte do Brasil naquele período.
A usina, que funcionou até 1959, utilizava as águas para movimentar um engenho de serra durante o dia e alimentar o dínamo do colégio à noite.
O empreendimento, que perdura como um legado de inovação, posicionou o local como um dos precursores na geração de energia limpa e renovável no estado, ficando atrás apenas da Usina de Marmelos.
O padre Adalberto Costa, diretor administrativo do Santuário do Caraça, afirmou:
O Tanque Grande é um dos maiores tesouros do Caraça. Pouca gente imagina que aquele lago sereno foi, há mais de 130 anos, o coração de um projeto pioneiro que levou luz elétrica ao Colégio. Hoje, ele convida o visitante a contemplar história e natureza em uma paisagem única.
Natureza e contemplação
Embora o Tanque Grande seja uma joia histórica, o Santuário do Caraça oferece um vasto roteiro de águas para os visitantes que buscam se refrescar.
Enquanto o lago da antiga hidrelétrica é preservado para contemplação, trilhas bem sinalizadas conduzem a destinos como a Cascatinha, o Banho do Belchior, os Tabuões e a imponente Cascatona, que encantam turistas com piscinas naturais e poços de águas cristalinas.
A memória desse período de transição tecnológica também sobrevive na oralidade da região. Como recordava o saudoso padre Lauro Palú:
Me recordo de ver o irmão iluminando a trilha com uma lamparina à noite para desligar a usina.
Um refúgio para o futuro
Hoje, o complexo é um exemplo de sustentabilidade e preservação ambiental, integrando áreas protegidas como a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Ao visitar o local, o viajante não apenas descobre a história da segunda usina hidrelétrica de Minas Gerais, mas também contribui para a manutenção de um ecossistema rico em biodiversidade.
Seja por carro, via Estrada do Caraça, ou pela experiência clássica do Trem de Passageiros da Vale, a jornada até o santuário é um convite para desacelerar. O impacto dessa visita vai além do turismo: é um reencontro com a história da energia no Brasil e a valorização do patrimônio natural que, protegido, continua sendo uma fonte de vida e conhecimento para as futuras gerações.
Para mais informações sobre hospedagem e horários, acesse o site oficial em www.santuariodocaraca.com.br.
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