A expansão dos data centers nos Estados Unidos impulsionou uma corrida por energia térmica, com projetos a gás disparando para 189 GW no primeiro semestre de 2026.
A demanda massiva por infraestrutura de tecnologia nos Estados Unidos transformou o cenário do setor elétrico. De acordo com o mais recente levantamento do Global Energy Monitor (GEM), o volume de usinas térmicas a gás planejadas especificamente para atender data centers saltou de 97 GW para 189 GW entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026, um crescimento expressivo de quase 95%.
Este movimento coloca os data centers no centro da estratégia de expansão da matriz fóssil americana. Hoje, metade de todas as novas propostas térmicas no país estão vinculadas a esse setor, uma mudança significativa em relação aos 38,5% observados no ano anterior. No panorama global, os EUA já ocupam a liderança isolada em projetos térmicos em construção, superando grandes potências como China e Arábia Saudita.
Desafios operacionais e gargalos de mercado
Apesar dos números robustos, o relatório do GEM adverte sobre a viabilidade dessas usinas. O setor enfrenta uma escassez crônica de turbinas, com prazos de entrega que se estendem por vários anos, o que coloca em xeque a conclusão de grande parte dos projetos anunciados.
Para contornar esse desabastecimento, desenvolvedores têm adotado tecnologias alternativas, como motores de combustão e unidades aeroderivadas de menor escala. Embora ofereçam maior rapidez na instalação, essas soluções apresentam menor eficiência energética e níveis mais elevados de emissões poluentes do que as tradicionais usinas de ciclo combinado.
O papel do Texas na transição energética
O estado do Texas surge como o epicentro dessa transformação, concentrando sozinho cerca de 122 GW em projetos térmicos — o que representa cerca de um terço de todo o pipeline de geração a gás dos Estados Unidos. Notavelmente, cerca de 66% da capacidade em desenvolvimento no estado destina-se exclusivamente ao suporte de centros de dados.
Para especialistas, a urgência em garantir energia para o crescimento da inteligência artificial e serviços de nuvem tem gerado um cenário de incertezas.
Jenny Martos, gerente de projetos do GEM, alerta:
Hoje em dia, é quase impossível distinguir uma proposta utópica daquela que tem chances reais de sair do papel. Os projetos que acabam superando esses obstáculos estão pagando preços altíssimos pelas turbinas, perpetuando emissões e elevando os preços de eletricidade.
Com a pressão contínua por infraestrutura e os custos crescentes de implantação, o setor de energia americano enfrenta o dilema de equilibrar a necessidade de expansão tecnológica com metas de sustentabilidade e a estabilidade das tarifas elétricas.


















