O ONS adota uma estratégia de economia de água nos reservatórios do Norte, priorizando a estabilidade do SIN frente ao crescimento da demanda e à alta oferta de renováveis.
Para garantir o fornecimento de energia nos últimos meses de 2024, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu manter a geração hidrelétrica reduzida na região Norte durante setembro. A medida visa recuperar o nível da hidrelétrica de Tucuruí, garantindo que o reservatório alcance sua curva de referência antes do período de maior estresse no final do ano.
Essa decisão reflete um cenário de gestão rigorosa, onde o aproveitamento de fontes alternativas permite poupar a água armazenada. Com a alta penetração da energia solar e eólica, especialmente no Nordeste, o sistema ganha fôlego para operar com maior cautela hídrica, preparando o país para o desafio de outubro e novembro, historicamente marcados pelo aumento do consumo devido às temperaturas mais elevadas.
Gestão estratégica por subsistemas
Cada região possui um papel específico nesta política operativa. No Nordeste, a geração hídrica está sendo ajustada para complementar a abundante produção solar, que chegou a superar a própria demanda local em momentos de pico no mês de agosto. Já no Sudeste e Centro-Oeste, o foco está no controle dos reservatórios intermediários para atender às variações de carga nas horas de maior exigência.
No Sul, a estratégia é distinta e acompanha as condições climáticas favoráveis, com expectativa de chuvas acima da média. A distribuição de potência entre os subsistemas é monitorada de perto, permitindo que o ONS mantenha uma folga operativa capaz de responder rapidamente a qualquer oscilação no fornecimento.
“A transformação no perfil de geração e consumo do SIN reforça a necessidade de disponibilidade de potência e flexibilidade das fontes, inclusive das termelétricas,” avalia a gestão do ONS diante das mudanças estruturais que o setor enfrenta.
Desafios e perspectivas futuras
O sistema encerra agosto com 64% da sua capacidade total, apresentando variações regionais importantes, como os 83% registrados no Norte e Sul, frente aos 59% do Sudeste e Centro-Oeste. O impacto das afluências abaixo da média em quase todo o país — com exceção do Sul — mantém o sinal de alerta ligado para a necessidade de uso eficiente dos recursos hídricos acumulados.
Como medida preventiva, o operador já prevê o despacho de energia térmica adicional e o acionamento de programas de resposta da demanda para suprir os picos de carga. Com o crescimento de 5,7% na carga do SIN em comparação ao ano anterior, a integração inteligente entre hidrelétricas, fontes intermitentes e o suporte térmico torna-se a base para assegurar a tranquilidade do suprimento energético nacional até o encerramento do ano.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
AIEA cria iniciativa global para viabilizar reatores nucleares em navios e usinas flutuantes
· Geração
LEIA MAIS
Governo retira política de combustíveis sustentáveis de navegação da pauta do CNPE
· Geração
LEIA MAIS
ZPEs aprovam data center de R$181 bi no Ceará e aço verde da Vale no Maranhão
· Geração
LEIA MAIS


















