A AIEA deu início ao projeto ATLAS, uma coalizão internacional de mais de 50 países desenhada para estabelecer normas de segurança e regulação para o uso de energia nuclear no mar.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) oficializou, durante um fórum de alto nível em Washington, o lançamento do programa ATLAS — sigla para Atomic Technologies Licensed for Applications at Sea. A iniciativa visa preparar o terreno para a adoção comercial de pequenos reatores modulares, conhecidos como SMRs, em navios de carga e plataformas de energia offshore a partir da década de 2030.
O encontro reuniu cerca de 600 lideranças entre formuladores de políticas, executivos do setor industrial e autoridades portuárias. O objetivo central é superar os obstáculos regulatórios e jurídicos que hoje impedem a operação de reatores nucleares em águas internacionais, garantindo que o transporte marítimo global possa se beneficiar de uma fonte de energia de alta densidade e longa autonomia.
O papel estratégico da energia nuclear na logística global
Com o setor de navegação respondendo por quase totalidade do fluxo de mercadorias no mundo e enfrentando uma demanda crescente, a implementação de SMRs surge como uma solução robusta para propulsão de grandes embarcações, como petroleiros e cargueiros. Além do transporte, as usinas flutuantes prometem revolucionar o fornecimento de eletricidade e dessalinização de água para regiões costeiras remotas.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, sublinhou a importância estratégica dessa convergência:
Ao unirmos o conhecimento das comunidades nuclear e marítima, abrimos caminho para a consolidação de um futuro onde a tecnologia nuclear atue como pilar para o transporte sustentável e a segurança energética, sempre sob um rigoroso padrão de confiança e proteção internacional.
Estrutura operacional e próximos passos
Para transformar o compromisso político — selado por uma declaração conjunta de 25 nações — em normas aplicáveis, o ATLAS contará com seis grupos de trabalho técnicos. Esses times serão responsáveis por padronizar quesitos complexos, como o licenciamento de embarcações que atravessam múltiplas jurisdições, salvaguardas nucleares, protocolos de proteção radiológica e operações portuárias.
A iniciativa também resgata a memória do NS Savannah, o pioneiro navio mercante movido a energia nuclear, como um marco histórico para o desenvolvimento tecnológico atual.
Embora a visão da AIEA seja de longo prazo, a estruturação imediata dessas regras é o fator crítico para viabilizar a entrada dessas tecnologias no mercado global. O sucesso desse plano determinará a rapidez com que a frota mercante mundial poderá transitar para sistemas de energia mais eficientes, compactos e alinhados às exigências ambientais das próximas décadas.
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