O setor de energia solar no Brasil se prepara para uma onda de consolidação até 2027, impulsionada por desafios financeiros e operacionais, abrindo caminho para uma retomada em 2028.
O mercado de energia solar atravessa um momento de transição estratégica. Entre 2026 e 2027, o setor deve priorizar a consolidação de ativos, com um aumento expressivo em fusões e aquisições (M&As), à medida que a alta nos juros e o fenômeno do curtailment pressionam a viabilidade de novos empreendimentos.
Para investidores e desenvolvedores como a Newave, o foco atual recai sobre a seletividade e a análise rigorosa de riscos. A busca por previsibilidade nas receitas tornou-se o pilar central diante de um cenário marcado por custos de capital elevados e desafios regulatórios que exigem cautela antes de novos aportes.
A estratégia de consolidação e o papel dos PPAs
Com o mercado mais restrito, o movimento esperado é a compra de usinas já operacionais pertencentes a grupos mais alavancados. A estratégia de empresas como a Newave ilustra essa postura: manter parte da energia contratada em PPAs (Power Purchase Agreements) de longo prazo, como nos complexos Arinos e Barro Alto, enquanto gerencia a exposição ao mercado livre de forma equilibrada.
Anderson Penha afirmou:
É necessário ter mudança de legislação e mudança do procedimento de rede.
O executivo destacou que a eficiência do sistema depende de ajustes estruturais para além da tecnologia.
O horizonte de 2028 e o avanço das baterias
O ano de 2028 surge como um ponto de inflexão para o setor de energias renováveis no país. A expectativa é que o crescimento da demanda por eletricidade ajude a absorver a sobreoferta diurna, mitigando os impactos do corte forçado na geração.
Além disso, os sistemas de BESS (Battery Energy Storage Systems) aparecem como protagonistas para resolver o déficit de potência, estimado em 5,5 GW no período noturno. Ao permitir o armazenamento da energia solar produzida durante o dia para uso no início da noite, a tecnologia promete estabilizar o sistema e aumentar a rentabilidade dos projetos.
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