A ABSOLAR articula um plano ambicioso para elevar a segurança energética do Brasil até 2030, apostando em 18 GW de usinas solares e 8 GW em sistemas de armazenamento.
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) oficializou junto ao governo federal uma estratégia robusta para redesenhar o panorama elétrico brasileiro entre 2027 e 2030. O projeto, revelado durante a feira Intersolar South America, coloca a transição energética como pilar central, mirando a instalação de 18 GW em usinas de grande escala e a viabilização de 8 GW em capacidade de armazenamento por baterias.
A iniciativa não se resume apenas a números, mas propõe uma mudança estrutural na forma como o país gerencia sua matriz. Com metas que incluem o atendimento de 3 milhões de unidades consumidoras por meio de tecnologias renováveis, a entidade busca aumentar a flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) enquanto promove o desenvolvimento econômico sustentável.
As três frentes da transição energética
O planejamento da ABSOLAR é sustentado pelos pilares Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos. O primeiro foco, Bateria Brasil, é vital para estabilizar a rede. A proposta sugere leilões de reserva de capacidade que tratem as baterias com neutralidade tecnológica, além de incentivos fiscais para equiparar esses equipamentos aos benefícios já concedidos a outras fontes renováveis.
O objetivo técnico é claro: mitigar o chamado curtailment — o desperdício de energia renovável gerada em momentos de baixa demanda — através da hibridização entre parques solares e baterias de alta performance.
A expansão da matriz solar, aliada à infraestrutura de armazenamento, é o único caminho para assegurar uma rede elétrica resiliente, competitiva e capaz de absorver a demanda crescente das indústrias de baixo carbono no país.
Competitividade e alcance social
Sob o eixo Energia que Emprega, o plano volta-se à atração de investimentos eletrointensivos. O Brasil, segundo a ABSOLAR, tem a oportunidade de utilizar sua abundância renovável para se tornar um hub global para data centers e projetos de hidrogênio verde. A energia limpa deixa de ser apenas um insumo e passa a ser um ativo estratégico para a reindustrialização do país.
Já o programa Sol para Todos foca na capilaridade, visando descentralizar o acesso à eletricidade. Um dos pontos mais críticos desta frente é o projeto de substituir 100 mil geradores movidos a diesel em áreas remotas. A meta é substituir esses sistemas poluentes por soluções fotovoltaicas integradas ao armazenamento, garantindo energia estável e limpa para comunidades isoladas.
O sucesso dessas medidas promete não apenas reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mas também solidificar o Brasil como uma potência na nova economia global. A implementação dessa agenda entre 2027 e 2030 deve definir o grau de protagonismo que o setor elétrico brasileiro terá na próxima década, equilibrando inovação tecnológica com metas sociais e ambientais.
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