O BTG Pactual quase zerou sua fatia na fabricante de pás eólicas Aeris Energy. Com a venda, a família Negrão consolidou o controle majoritário da companhia em meio a um processo de renegociação de dívidas.
Em uma movimentação expressiva no mercado de capitais, o BTG Pactual praticamente liquidou sua participação acionária na Aeris Energy. Após exercer opções de venda, a fatia do banco no capital social da fabricante de componentes para o setor eólico despencou de 24,99% para apenas 0,08%.
A operação resultou em um fortalecimento imediato da estrutura de governança da empresa. A família Negrão, principal controladora do negócio, absorveu o montante alienado, elevando sua presença no quadro societário de 51,8% para 76,52%. O movimento marca a conclusão de um ciclo iniciado em dezembro de 2023, quando o banco ingressou na sociedade.
Reorganização societária e justificativas
Esta transação representa a segunda etapa de desinvestimento do BTG Pactual na companhia. A primeira redução significativa ocorreu em outubro do ano passado, quando a instituição financeira baixou sua participação de 37,35% para o patamar anterior.
De acordo com informações enviadas à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o banco declarou que a decisão atende apenas a uma estratégia de gestão de carteira e operações financeiras. A nota oficial enfatiza que não houve intenção de adquirir controle ou influenciar diretamente a gestão administrativa da Aeris.
A redução da participação acionária do BTG Pactual tem por objetivo a mera realização de operações financeiras, e o banco não tem o objetivo de atingir qualquer participação acionária em particular.
Contexto financeiro desafiador
A mudança no controle ocorre em um momento em que a fabricante busca fôlego financeiro. Recentemente, a empresa solicitou uma pausa de 60 dias em medidas judiciais e cobranças para renegociar pendências com credores.
O cenário financeiro reflete a pressão sobre o caixa da companhia, que registrou uma dívida líquida de R$ 1,9 bilhão no segundo trimestre deste ano — um salto de 19,2% na comparação anual.
Atualmente, o passivo financeiro da Aeris Energy é composto majoritariamente por R$ 1,2 bilhão em debêntures e quase R$ 600 milhões em empréstimos bancários junto a instituições como BNDES, Santander, Banco do Brasil, BNB e BV.
A consolidação da família Negrão no comando é vista como um passo importante para dar estabilidade às tratativas com esses credores, garantindo maior unidade na tomada de decisões estratégicas da empresa nos próximos meses.























