A produção de energia solar no Nordeste atingiu um marco histórico ao superar a demanda regional, trazendo à tona o debate sobre a flexibilidade operacional do sistema elétrico brasileiro.
O setor de energia renovável no Brasil registrou um desempenho expressivo em agosto. Dados recentes divulgados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) revelam que, no dia 7, a geração solar no subsistema Nordeste alcançou 16 GW, montante que corresponde a 113% do consumo da região naquele instante. Esse excedente reforça o papel estratégico do Nordeste como exportador de energia limpa para o restante do país.
O fenômeno acontece em um cenário de alta sazonalidade das fontes renováveis. Além do avanço fotovoltaico, o ONS confirmou que a geração eólica também apresentou um aumento no fator de capacidade ao longo de agosto, impulsionando a oferta de energia renovável no SIN (Sistema Interligado Nacional).
Os desafios da variabilidade e o suporte térmico
Apesar dos benefícios ambientais, a abundância de energia solar traz complexidade para a rede. A oscilação diária, especialmente no final da tarde, exige manobras técnicas rigorosas para manter o equilíbrio.
“O grande desafio são as grandes rampas, dado o aumento da geração solar e da micro e minigeração distribuída. Quando o sol se põe, temos rampas muito elevadas”
A declaração foi feita pelo ONS durante o PMO (Programa Mensal da Operação) de setembro. Para mitigar esses impactos, o órgão tem solicitado o despacho de usinas termelétricas, buscando assegurar a flexibilidade necessária nos horários de maior carga, onde a intermitência da energia solar torna-se mais crítica.
Gestão de excedentes e o futuro da rede
O avanço da MMGD (Micro e Minigeração Distribuída) em conjunto com a geração centralizada tem forçado o ONS a adotar medidas preventivas, como o plano de gestão de excedentes. No dia 23 de agosto, o mecanismo foi ativado para controlar o excesso de injeção na rede durante períodos de baixo consumo.
Para o próximo domingo, 30 de agosto, o órgão trabalha com uma probabilidade média de uma nova intervenção. A estratégia consiste em limitar a injeção de energia pelas distribuidoras, uma vez que o operador não detém controle direto em tempo real sobre cada unidade geradora distribuída.
Como explica o próprio ONS, a operação atual foca em diretrizes de programação, lidando com os reflexos técnicos no tempo real. O sucesso dessa gestão dependerá de uma precisão cada vez maior nas previsões meteorológicas e de carga, garantindo que o crescimento da matriz solar não comprometa a segurança operativa do sistema.
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