O Senado Federal coloca em debate medidas cruciais para modernizar a infraestrutura elétrica, focando em armazenamento e eletrificação como pilares para a consolidação das energias renováveis no Brasil.
O Senado Federal elevou o tom das discussões sobre a transição energética brasileira ao incluir, em sua agenda de esforço concentrado, pautas voltadas à modernização das redes de distribuição e transmissão. O objetivo central é superar os gargalos operacionais que impedem o país de aproveitar plenamente seu vasto potencial em fontes limpas, especialmente eólica e solar. A mobilização, que contou com a articulação da Global Renewables Alliance (GRA) e o movimento Eletrifica Brasil, também serviu como palco para a estreia nacional da iniciativa global *Electrify Now*.
A complexidade do momento reside em uma característica singular do Brasil: a abundância de recursos. Enquanto outras nações ainda lutam para viabilizar a produção de energia verde, o sistema elétrico brasileiro enfrenta o desafio de gerenciar o excesso de oferta. Para especialistas, a falta de investimentos estruturais em flexibilidade e armazenamento torna-se um entrave para o crescimento econômico e para a atração de novos grandes consumidores, como indústrias de baixo carbono e *data centers*.
Desafios regulatórios e o peso dos tributos
Durante as sessões, a necessidade de baterias para armazenamento de energia (BESS) foi destacada como a solução técnica mais viável para conferir resiliência ao Sistema Interligado Nacional (SIN). No entanto, o otimismo tecnológico esbarra em barreiras fiscais. O setor cobra uma postura mais ágil do Executivo, independentemente dos ciclos políticos, para desonerar tecnologias de armazenamento que hoje sofrem com uma carga tributária proibitiva.
Sobre a necessidade de alinhamento entre o Legislativo e o Executivo, Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica, reforçou a urgência de transformar marcos legais em investimentos práticos:
“O Brasil, diferente do resto do mundo, precisa gerenciar a abundância de recursos energéticos, principalmente os recursos renováveis. Enquanto o mundo discute como vai prover a oferta de energias renováveis para, então, promover a necessária transição energética, o Brasil precisa discutir como vai gerenciar essa riqueza.”
Competitividade industrial e visão regional
O debate não se limitou às fronteiras nacionais. O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, defendeu que a integração energética na América Latina é o próximo passo natural para converter o potencial de geração em verdadeira capacidade produtiva. Esse intercâmbio, aliado a uma política interna de incentivo ao uso eficiente da energia, é visto como um trunfo estratégico.
Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR, foi enfático ao criticar os entraves fiscais:
“Essa carga tributária afugenta a população de usar essa tecnologia e dificulta grandes investidores de fazerem projetos no país.”
Ao reunir parlamentares, técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e lideranças do setor privado, o Senado sinaliza uma mudança de patamar. A energia renovável deixa de ser tratada meramente como uma questão de sustentabilidade ambiental para ocupar o centro da estratégia de competitividade industrial e de atração de capital produtivo, consolidando o Brasil como um player indispensável no cenário global de descarbonização.






















