O avanço do biometano na frota de ônibus urbanos pode impulsionar um mercado duas vezes maior que o industrial, segundo o CEO da Orizon VR, Milton Pilão.
A transição energética no Brasil encontra no setor de transporte público um aliado estratégico para alavancar o uso do biometano. De acordo com Milton Pilão, CEO da Orizon Valorização de Resíduos, a substituição definitiva do diesel por fontes renováveis em frotas urbanas possui um potencial de consumo significativamente superior ao demandado atualmente pela indústria nacional.
Durante o 13º Fórum do Biogás, realizado em São Paulo, o executivo destacou que, embora o cenário industrial seja relevante, é na mobilidade que reside a chave para escalar a produção. No entanto, ele pondera que o sucesso dessa transição depende de avanços contínuos em infraestrutura de abastecimento e em marcos regulatórios claros em todo o território nacional.
O exemplo de São Paulo como modelo nacional
O estado de São Paulo tem servido como um laboratório prático para esse processo, com a integração gradual do combustível renovável em veículos de coleta e no transporte público municipal. Para Pilão, as lições aprendidas na capital paulista, especialmente no que tange à regulação de contratos com operadoras de frota, são fundamentais para o restante do país.
“A gente trouxe aqui uma solução de ampliação desses contratos para que as empresas de ônibus possam fazer os investimentos na troca de frota e ter também uma previsibilidade de um tempo de operação mínimo para que tenha o retorno desse investimento”, afirmou o executivo.
Gargalos e o futuro da descarbonização
O setor agora volta suas expectativas para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A expectativa do mercado é pela regulamentação dos CGOBs (Certificados de Garantia de Origem de Biometano), instrumento que assegurará a rastreabilidade da molécula sustentável, conferindo maior segurança jurídica e transparência para novos aportes.
Para garantir a viabilidade de projetos bilionários em novas plantas, a Orizon VR defende a implementação de metas plurianuais. A ideia é reduzir a dependência do gás fóssil através de um planejamento de longo prazo, transformando a mobilidade urbana em um pilar central da economia circular e da redução de emissões no Brasil.





















