O ONS prepara uma atualização histórica em suas diretrizes operacionais para tornar o Sistema Interligado Nacional (SIN) mais resistente diante da nova realidade climática global.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) iniciou uma reestruturação profunda em seus processos de planejamento para enfrentar a frequência cada vez maior de fenômenos meteorológicos severos. O objetivo é oficializar normas de resiliência climática que sirvam de base tanto para o funcionamento cotidiano das redes quanto para direcionar novos investimentos em infraestrutura.
A mudança busca ir além dos tradicionais indicadores de confiabilidade, conhecidos tecnicamente como critérios N-1 e N-2. Com a aceleração dos extremos climáticos, o órgão entende que os parâmetros históricos de segurança já não são suficientes para garantir a estabilidade do fornecimento de energia a longo prazo.
Adaptação além dos manuais
A necessidade de reformulação tornou-se evidente após a observação de ventos que alcançaram a marca de 280 km/h, superando significativamente o teto de 250 km/h utilizado anteriormente como base de cálculo. O diretor de Operação, Valter Cardeal, e o diretor-geral do ONS, Márcio Rea, reforçaram que projetar estruturas capazes de suportar essas novas magnitudes é um dos maiores desafios atuais do setor.
Nesse cenário, a modernização de ativos antigos e a implementação de novos requisitos técnicos para equipamentos de transmissão estão na pauta. Isso inclui, por exemplo, o reforço estrutural de torres que compõem o sistema de energia, garantindo que a rede possa suportar ventanias mais intensas e tempestades severas.
Um novo modelo de gestão energética
Para Alexandre Zucarato, diretor do ONS, a institucionalização dessas estratégias é fundamental, uma vez que o intervalo de tempo entre grandes eventos catastróficos tem diminuído. A ideia não é apenas reagir a problemas, mas integrar a resiliência ao planejamento estrutural do país.
“O desafio exige maior capacidade de antecipação, coordenação entre agentes do setor e investimentos voltados à adaptação, sem ignorar a viabilidade econômica das soluções”, afirmou Solange Ribeiro, presidente do conselho de administração do ONS.
O setor elétrico brasileiro entra, assim, em uma nova fase onde a geografia e a engenharia precisarão caminhar lado a lado com a ciência do clima. A definição estratégica de onde instalar novos ativos e como fortalecer os existentes será vital para manter o SIN operando com segurança diante de um futuro climático incerto.























