Com uma marca histórica de 6 mil projetos inscritos, o setor elétrico brasileiro se prepara para a estreia dos leilões de armazenamento de energia, visando maior estabilidade para o sistema.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) oficializou um marco inédito para o mercado brasileiro de energia. Recentemente, a entidade contabilizou 6.091 propostas voltadas para os próximos certames de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), que juntos somam impressionantes 296,8 GW de potência instalada.
O volume de adesão reflete o otimismo de investidores em relação à tecnologia de armazenamento. Esses dispositivos são considerados cruciais para conferir mais flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN), permitindo um melhor aproveitamento de fontes renováveis e garantindo segurança operacional diante das oscilações da matriz energética.
Detalhamento dos certames
O calendário de leilões começa no dia 2 de dezembro, focado em projetos que atendam aos requisitos de conteúdo local estabelecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nesta rodada específica, foram submetidas 5.296 propostas, totalizando 261,408 GW.
Dois dias depois, em 4 de dezembro, ocorrerá a segunda etapa, com abertura mais ampla para diferentes modelos de armazenamento. Esta fase registrou 5.734 projetos, que correspondem a 281 GW. É importante notar que há uma sobreposição, com muitos empreendedores mantendo suas propostas ativas em ambos os leilões.
“O recorde de projetos cadastrados demonstra, de forma inequívoca, a maturidade alcançada pelo mercado brasileiro de armazenamento de energia e o forte apetite dos investidores por esse segmento”, afirmou Fabio Monteiro Lima, diretor-executivo da Absae.
Perspectivas e desafios regulatórios
Apesar da euforia com a alta participação, o caminho até a implementação efetiva ainda exige etapas rigorosas. Atualmente, os projetos passam por um crivo técnico detalhado conduzido pela EPE, que avaliará a viabilidade e o cumprimento de todas as normas antes da habilitação final.
Paralelamente, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) mantém um alerta sobre o desenho das regras. A entidade critica a forma como o custo do armazenamento foi estruturado, apontando que o rateio recair exclusivamente sobre as geradoras é uma medida “anti-isonômica”, sugerindo que o debate sobre a racionalidade do custeio ainda é um ponto sensível para o setor.
Com esses leilões, o Brasil dá um passo decisivo para modernizar sua infraestrutura elétrica. A expectativa é que a integração dessas baterias ao sistema traga, a longo prazo, uma operação mais robusta e eficiente, consolidando o país como um dos protagonistas na transição energética global.



















