Um novo projeto de lei propõe uma taxa de 7% sobre o uso de recursos hídricos da União, direcionando fundos para municípios e estados. Um passo crucial para a gestão sustentável da água no Brasil.
O Brasil, detentor de vasta riqueza em recursos hídricos, está diante de uma proposta legislativa que promete transformar a maneira como a água é valorizada e utilizada. O Projeto de Lei 675/26 emerge como um marco potencial na gestão hídrica do país, introduzindo uma nova compensação financeira pelo uso de águas de domínio da União. Esta iniciativa visa fortalecer a sustentabilidade e garantir que o aproveitamento desse recurso vital traga benefícios mais equitativos para a sociedade.
O ponto central do projeto é a implementação de uma cobrança adicional de 7% sobre o valor da água captada ou consumida, a ser paga por aqueles que dependem de autorização para seu uso. Mais do que uma simples taxa, a medida busca incentivar o uso eficiente da água e promover uma justa repartição dos benefícios, direcionando uma parte significativa da arrecadação para municípios e estados, entes federativos na linha de frente da gestão ambiental e do provimento de serviços essenciais.
Uma Nova Abordagem para o Uso da Água
A proposição do PL 675/26 representa um avanço na forma como o Brasil monetiza e gerencia seus recursos hídricos. A nova compensação incidirá sobre o volume de água utilizado por indústrias, setores de energia e agronegócio que dependem de concessões para operar. Ela se somará aos valores já estipulados pela Política Nacional de Recursos Hídricos, reforçando a premissa de que a água é um bem econômico e um recurso natural finito que demanda valoração e cuidado.
Repartição de Benefícios e Incentivo à Eficiência
O cálculo da nova taxa será de 7% sobre o valor da água captada ou consumida, com base em um valor de referência por volume a ser estabelecido em regulamento futuro. A iniciativa, proposta pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), é pautada na busca por maior equidade. A parlamentar defende que a medida irá:
“promover a justa repartição dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos hídricos da União, incentivando o uso eficiente da água.”
Essa perspectiva é crucial para empresas do setor de energia e outras indústrias intensivas no uso de água, pois estimula a inovação em processos e a adoção de tecnologias que minimizem o consumo.
Destino dos Recursos Arrecadados
A distribuição dos recursos é um dos pilares do projeto, visando fortalecer as finanças locais e regionais para investimentos em sustentabilidade e infraestrutura. A maior parte da arrecadação será destinada aos municípios (65%), seguida pelos estados (25%), e o restante (10%) para a União. É importante notar que há restrições claras sobre o uso desses valores: eles não poderão ser empregados no pagamento de dívidas ou em despesas com pessoal permanente, exceto em áreas essenciais como educação e previdência, garantindo que o foco permaneça em investimentos estratégicos para o meio ambiente e a sociedade.
Próximos Passos Legislativos
O Projeto de Lei 675/26 agora segue para análise em caráter conclusivo pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. A expectativa é que o debate abranja os impactos econômicos e ambientais da proposta, considerando o papel estratégico dos recursos hídricos para o desenvolvimento sustentável do país e a transição para uma matriz energética mais limpa, que também depende de uma gestão hídrica robusta.
A implementação desta nova compensação tem o potencial de gerar receitas significativas, que podem ser direcionadas para investimentos cruciais em saneamento básico, infraestrutura hídrica e projetos de conservação ambiental. Para o setor de energia, especialmente o hidroelétrico, a medida reforça a necessidade de integrar a gestão sustentável da água em suas operações. Ao valorizar ainda mais o recurso água, o Brasil dá um passo importante para garantir a segurança hídrica e a sustentabilidade de suas futuras gerações, alinhando-se às crescentes demandas por responsabilidade ambiental global.






















