Senado trava disputa sobre marco legal de minerais críticos com nova proposta alternativa

Senado trava disputa sobre marco legal de minerais críticos com nova proposta alternativa
Senado trava disputa sobre marco legal de minerais críticos com nova proposta alternativa - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Novo debate no Senado sobre minerais críticos reacende discórdia sobre controle estatal em projetos estratégicos para a transição energética.

A busca por um marco regulatório robusto para os minerais críticos no Brasil, essencial para a inserção do país nas cadeias globais de suprimentos para transição energética, defesa e tecnologia, entrou em nova fase. Um substitutivo apresentado na Comissão de Infraestrutura do Senado propõe uma abordagem alternativa, divergindo do texto já aprovado pela Câmara dos Deputados e reavivando discussões sobre o protagonismo do Estado em projetos estratégicos.

A decisão de adiar a votação do projeto na comissão senatorial, pautado inicialmente para esta terça-feira (14/7), evidencia a complexidade do tema e a existência de diferentes visões sobre a gestão desses recursos. O substitutivo, que busca harmonizar demandas do setor mineral com a política nacional, corre em paralelo com o projeto oriundo da Câmara, gerando um cenário de incerteza e intensificando o debate sobre o controle estatal.

Um Novo Rumo para os Minerais Críticos

O senador Wilder Morais (PL/GO) apresentou um substitutivo ao projeto de lei 4443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB/AL), que visa estabelecer a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). Este novo texto, que recebeu pedido de vistas de diversos senadores, como Rogério Carvalho (PT/SE) e Astronauta Marcos Pontes (PL/SP), diverge significativamente da proposta aprovada na Câmara, o PL 2780/2024, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP).

O texto de Morais busca incorporar aspectos do projeto aprovado pela Câmara, mas com adaptações importantes, especialmente no que diz respeito às atribuições do Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Em vez de conceder ao órgão poder de homologar operações societárias, o substitutivo restringe sua atuação ao registro e acompanhamento dessas transações, uma mudança vista com bons olhos pelo setor mineral.

Essa movimentação, contudo, pegou de surpresa representantes da indústria e parlamentares que trabalharam na versão aprovada na Câmara, indicando que as articulações em torno do tema podem ter se diversificado.

O Debate sobre o Controle Estatal

Uma das principais divergências entre as propostas reside na competência para autorizar mudanças de controle societário, participação estrangeira relevante, contratos internacionais e atos envolvendo títulos minerários ligados à União. Enquanto o projeto da Câmara confere poder de homologação ao governo federal, o substitutivo de Morais busca descentralizar essas decisões.

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Essa discussão ganhou força após um episódio envolvendo a mineradora Serra Verde em Goiás, adquirida pela norte-americana USA Rare Earth. O negócio, estimado em US$ 2,8 bilhões, levantou questões sobre o controle de reservas estratégicas de terras raras e gerou atritos entre o governo estadual e o Planalto.

“A proposta de Wilder Morais estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e uma lista referência para a definição de projetos prioritários para receber incentivo e financiamento. Mas uma das principais diferenças entre as duas propostas está justamente nas atribuições do Conselho.”

Próximos Passos e Cenário Futuro

Com o pedido de vistas, a tramitação do PL 4443/2025 foi adiada, sem data definida para retorno à pauta. O recesso legislativo iminente em 18 de julho sugere que a conclusão das discussões sobre os minerais críticos pode se estender até o retorno das atividades em agosto. A movimentação ocorre dias após uma reunião entre o Presidente Lula, ministros e executivos da Vale para debater a estratégia nacional para esses insumos.

A definição de um marco legal claro para minerais críticos é vista como crucial para posicionar o Brasil de forma estratégica no cenário internacional, especialmente na atração de investimentos e na participação de cadeias produtivas globais. A diversidade de abordagens em discussão no Senado demonstra a complexidade de conciliar os interesses nacionais, as demandas do setor produtivo e as dinâmicas globais.

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