O BNDES aprovou um financiamento de R$ 100 milhões para a produção de níquel e cobalto de alta pureza no Piauí, impulsionando a cadeia de valor para veículos elétricos e energias renováveis no Brasil.
O setor de energia limpa e a indústria de veículos elétricos recebem um novo e significativo impulso no Brasil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oficializou um robusto financiamento de R$ 100 milhões para a Piauí Níquel Metais SA. O aporte visa equipar uma planta moderna para o processamento de níquel e cobalto de alta pureza, minerais essenciais para a transição energética global.
Este investimento estratégico posiciona o estado do Piauí no centro da produção de insumos vitais, fortalecendo a cadeia de suprimentos de tecnologias sustentáveis. A iniciativa reforça a capacidade brasileira de contribuir com a demanda crescente por componentes para baterias e outras aplicações avançadas.
Fortalecendo a Cadeia de Minerais Estratégicos
A destinação dos recursos, provenientes da linha BNDES Máquinas e Serviços, permitirá à Piauí Níquel Metais SA adquirir tecnologia e equipamentos nacionais, além de itens importados sem similaridade no mercado brasileiro. A planta, que será erguida em Capitão Gervásio Oliveira, no interior do Piauí, é um passo crucial para o avanço da mineração sustentável no país.
O projeto foi selecionado através da Chamada Pública para Investimentos em Transformação de Minerais Estratégicos, uma iniciativa conjunta do BNDES e da Finep em 2025. Isso sublinha a relevância da ação para o desenvolvimento econômico e tecnológico nacional.
“O plano de negócio da empresa foi um dos projetos selecionados pela Chamada Pública para Investimentos em Transformação de Minerais Estratégicos, lançada pelo BNDES e pela Finep em 2025.” afirmou o presidente do banco de fomento, Aloizio Mercadante.
Níquel e Cobalto: Pilares da Nova Economia
A Piauí Níquel Metais SA, subsidiária da Brazilian Nickel Limited, especializar-se-á na produção de Precipitado de Hidróxido Misto (MHP). Este composto é um intermediário fundamental para a fabricação de componentes para baterias de íons de lítio, que alimentam veículos elétricos, e serve também como matéria-prima para aços inoxidáveis e ligas especiais.
Além de sua aplicação em baterias, o níquel e o cobalto são categorizados como minerais críticos, desempenhando um papel indispensável na manufatura de turbinas eólicas e em sistemas modernos de armazenamento de energia.
O CEO da Brazilian Nickel, Mark Travers, ressaltou a importância do projeto:
“O mundo precisa, mais do que nunca, diversificar suas cadeias de suprimentos, e o Projeto Piauí Níquel vai posicionar o país como um fornecedor global altamente competitivo e responsável.”
Projeção de Produção e Sustentabilidade
Com a produção prevista para iniciar em 2028 e a fase operacional completa em 2029, o projeto estima uma capacidade anual de 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto. O MHP resultante do processo de purificação terá um teor de 48% a 50% de níquel e 2% de cobalto, destinado ao mercado global.
O método de lixiviação em pilhas adotado pela Piauí Níquel é reconhecido como uma tecnologia de baixo carbono. Sua eficiência se manifesta na alta recirculação de água, baixa intensidade energética e significativa redução de emissões e da geração de resíduos sólidos, eliminando a necessidade de barragens de rejeitos. Este enfoque exemplifica o compromisso com a economia de baixo carbono e a sustentabilidade. A Alvarez & Marsal Infra foi a responsável pela assessoria nas negociações.
Impacto e Perspectivas Futuras
O financiamento do BNDES para a Piauí Níquel representa um marco na jornada do Brasil rumo à liderança em minerais estratégicos para a transição energética. Ao investir na produção local de níquel e cobalto de alta pureza, o país não só atende à demanda interna por tecnologias verdes, mas também se consolida como um fornecedor confiável no cenário internacional.
Este projeto no Piauí serve como um modelo de mineração sustentável e inovadora, com potencial para atrair novos investimentos e fomentar o desenvolvimento regional. A iniciativa é um catalisador para a diversificação econômica, geração de empregos e o avanço da infraestrutura, alinhando-se aos objetivos globais de descarbonização e promoção da energia limpa.






















