Porto de Santos se torna palco para abastecimento de navio transoceânico com etanol, abrindo caminho para combustíveis marítimos de baixo carbono na América do Sul.
Um marco na jornada rumo à descarbonização do transporte marítimo foi celebrado no último domingo (12/7) com o abastecimento do porta-contêineres transoceânico CMA CGM IRON com etanol. A operação inédita, realizada no Porto de Santos, contou com a expertise de players renomados como CMA CGM, Copersucar, AGEO Terminais, Santos Brasil e Bunker One.
O navio, com capacidade para 13.000 TEU e equipado com um motor tricombustível certificado, recebeu o biocombustível fornecido pela Copersucar. Essa iniciativa reforça o potencial do Brasil em liderar a transição para combustíveis mais limpos na navegação global, aproveitando sua vasta capacidade de produção de energia renovável.
Um Novo Capítulo para Combustíveis Marítimos
A logística por trás desta operação foi complexa, envolvendo o transporte do etanol até o Porto de Santos, sua armazenagem em instalações especializadas e o transbordo para o navio através de uma barcaça. Tudo isso demandou uma coordenação precisa entre as empresas envolvidas, evidenciando a capacidade de adaptação e inovação do setor.
A escolha do etanol como combustível não é aleatória. A Copersucar ressalta que a produção do biocombustível segue critérios rigorosos de sustentabilidade, com expansão da cultura da cana-de-açúcar predominantemente em áreas de pastagens degradadas e alinhada aos princípios do programa RenovaBio, que preza pelo desmatamento zero.
“O setor tem se adaptado, com a previsão de que centenas de embarcações aptas a navegar com combustível não fóssil saiam dos estaleiros nos próximos anos”, comentou Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One, destacando o otimismo com o futuro da navegação de baixo carbono.
O Porto de Santos como Hub Estratégico
Esta operação pioneira visa consolidar o Porto de Santos como um futuro centro de distribuição de combustíveis marítimos de baixo carbono para toda a América do Sul. A ambição é clara: suprir a crescente demanda da navegação internacional por alternativas energéticas mais sustentáveis.
A Organização Marítima Internacional (IMO) tem discutido ativamente mecanismos para incentivar essa transição. A visão das companhias envolvidas é que o etanol, diferentemente de outras soluções que ainda buscam escala comercial, como o hidrogênio verde, já se encontra disponível em volume e com competitividade de custos.
Christine Cabau Woehrel, vice-presidente Executiva da CMA CGM, ressaltou a importância tecnológica deste momento:
“Este marco tecnológico abre caminho para o uso mais amplo de combustíveis de menor intensidade de carbono e auxilia na descarbonização das operações de transporte marítimo.”
O CMA CGM IRON, entregue em 2025, é o primeiro de uma série de doze porta-contêineres de 13.000 TEU que contarão com o avançado motor tricombustível Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM. A chegada dessas embarcações representa um passo significativo em direção à meta de neutralidade de carbono no transporte marítimo até 2050, setor que atualmente responde por aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.






















