Governo federal mantém estratégia e avalia que não é preciso retomar subsídios ao diesel, apesar da volatilidade no mercado internacional de petróleo gerada por conflitos geopolíticos.
A equipe econômica do governo liderado pelo presidente Lula (PT) monitora com atenção a recente disparada nos preços do petróleo, motivada pela escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Mesmo com o barril do Brent ultrapassando a marca dos US$ 83, o Executivo descarta, neste momento, a reintrodução de medidas de subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel.
Para o Ministério da Fazenda, o impacto atual sobre a economia brasileira é considerado moderado. A avaliação é de que os instrumentos regulatórios já em vigor são suficientes para absorver o choque externo, especialmente porque o setor ainda conta com uma medida de proteção vigente, calculada em R$ 1,12 por litro do combustível.
Cenário de incerteza global
A instabilidade foi intensificada por anúncios recentes de fechamento do Estreito de Ormuz por parte do governo iraniano, além de novos ataques ucranianos contra a infraestrutura de energia da Rússia. A situação reflete diretamente nos preços, que registraram alta superior a 9% apenas nesta segunda-feira (13).
Analistas de mercado, como Bruno Cordeiro, da StoneX, destacam que as restrições impostas pela Rússia às exportações de derivados de petróleo reforçam os riscos ao suprimento global. Diante dessa volatilidade, o governo também mantém cautela quanto à retirada de subsídios da gasolina, adiando decisões estratégicas para evitar novas pressões inflacionárias.
“O sinal de alerta para a equipe econômica só voltaria a ser acionado caso o barril do petróleo ultrapasse a marca dos US$ 90 ou se estabilize em patamares próximos a esse valor. Até que isso ocorra, o governo entende ter condições de gerir os impactos com os instrumentos que já estão em vigor”, apontam fontes ligadas ao Executivo.
Projeções e limites
Além de descartar a volta da subvenção, o governo também exclui, por ora, a utilização do PLP (Projeto de Lei Complementar) dos combustíveis, que permitia o corte de impostos mediante a compensação pela receita extra vinda da exportação de petróleo. O texto, que nunca chegou a ser votado na Câmara dos Deputados, permanece esquecido.
Enquanto isso, a pressão externa aumenta com as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar taxas pela segurança da rota marítima. O mercado, atento, observa como esses desdobramentos afetarão a oferta global e a política energética interna nos próximos meses.























