O BTG Pactual assume o controle de três usinas solares da Rio Alto na Paraíba, consolidando propriedade via execução de garantias em meio à reestruturação financeira da empresa.
O mercado de energia limpa testemunha uma movimentação estratégica com o avanço do BTG Pactual sobre ativos da Rio Alto Energias Renováveis. O banco notificou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a consolidação da propriedade de três usinas fotovoltaicas localizadas no complexo de Santa Luzia, na Paraíba.
Esta ação não se configura como uma aquisição convencional, mas sim como a execução de garantias. A medida ocorre em meio a um complexo plano de reestruturação financeira da Rio Alto, que enfrenta negociações de dívidas estimadas em R$ 1,7 bilhão, envolvendo debêntures e créditos bancários.
O Cenário das Usinas Solares
A operação em questão foca nas usinas solares Santa Luzia V, Santa Luzia VII e Santa Luzia IX, que em conjunto somam uma capacidade de 150 MW. Esses empreendimentos, cruciais para a geração de energia renovável na região, estão situados no município de Santa Luzia, um polo importante para o setor elétrico paraibano.
Conforme documentos apresentados ao Cade, a transação se dá pela excussão de garantias, conferindo ao BTG Pactual o controle societário direto das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) responsáveis pelas usinas. Este processo não exige aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas comunicação formal.
Inicialmente, essas três usinas fotovoltaicas estavam fora do âmbito da recuperação extrajudicial da Rio Alto, pois sua performance operacional e geração de receita eram consideradas suficientes. Contudo, o agravamento dos cortes de geração afetou a viabilidade desses ativos, levando à sua inclusão no processo de reestruturação. O BTG Pactual detinha aproximadamente R$ 108 milhões em créditos atrelados a estas SPEs.
A Complexa Recuperação da Rio Alto
A situação atual da Rio Alto Energias Renováveis é resultado de um longo e intrincado processo de reestruturação financeira. Em junho, a empresa esclareceu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o encerramento do plano inicial não significava o fim de seus esforços de reorganização.
O plano original, protocolado em 2025, dependia da entrada de um terceiro investidor, expectativa que não se concretizou. Diante de um cenário desafiador para o setor elétrico, a Rio Alto buscou proteção judicial em março de 2026, mantendo as negociações com seus credores para alcançar um consenso.
Os novos planos de recuperação extrajudicial, que já contam com a adesão dos credores, substituíram a proposta anterior, aceita pela Justiça em junho de 2026. A companhia reafirma a continuidade da reestruturação consensual, com os novos acordos sob análise judicial.
“A Rio Alto, em sua comunicação, enfatizou que a essência da reestruturação consensual de suas dívidas permanece inalterada, e os planos atualizados continuam sob escrutínio do judiciário.”
A consolidação da propriedade das usinas solares pelo BTG Pactual marca um ponto crucial na reestruturação da Rio Alto e na expansão do banco no segmento de energias renováveis. A efetivação desta operação, pendente da aprovação do Cade, representa um passo adiante na resolução do passivo bilionário da desenvolvedora de projetos.
Para o futuro, a atenção se volta para a homologação judicial dos novos planos de recuperação extrajudicial da Rio Alto e para os impactos dessa reconfiguração de ativos no panorama de energia limpa do Brasil. A resiliência e a capacidade de adaptação dos players são fundamentais em um setor elétrico em constante evolução.






















