A instabilidade no Oriente Médio provocou uma disparada de 6% no preço do petróleo, reacendendo as tensões entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista por subsídios fiscais.
O cenário internacional sofreu uma reviravolta dramática nas últimas horas. A retomada das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos, marcada por bombardeios mútuos no Bahrein, Kuwait e no sul do território iraniano, encerrou as esperanças de um cessar-fogo. Com a declaração de Donald Trump descartando novas negociações, o mercado financeiro reagiu imediatamente, elevando a cotação do barril de petróleo e colocando o governo brasileiro em uma posição defensiva.
No Brasil, o reflexo dessa crise geopolítica atinge em cheio o debate sobre o PLP 114/2026. A proposta, que visa mitigar a alta dos combustíveis mediante renúncia fiscal, tornou-se o epicentro de uma disputa de forças. De um lado, a gestão Lula busca frear gastos e preservar receitas; de outro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona por benefícios que garantam a competitividade do setor, especialmente diante da volatilidade dos preços internos.
O impasse do custo Brasil e a competitividade dos biocombustíveis
A estratégia econômica original previa o “desmame” gradual dos subsídios. Após a redução parcial na carga sobre o diesel, o governo deveria ter avançado sobre a gasolina, o que foi interrompido pelo acirramento do conflito. A manutenção do subsídio à gasolina, sem uma contrapartida similar ao etanol hidratado, gerou um protesto imediato dos produtores de biocombustíveis.
A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos/GO), tenta incluir no texto salvaguardas que protejam o diferencial competitivo do etanol. Contudo, a tentativa de vincular a arrecadação extra gerada pela exportação de petróleo a fundos de auxílio para dívidas do agronegócio travou as negociações. O governo, temendo o impacto fiscal, ameaçou retirar a proposta de tramitação caso o controle orçamentário seja desafiado.
O “PL da Dívida” e o embate com a Fazenda
Paralelamente, o setor rural articula a aprovação do PL 5122/2023, focado em crédito subsidiado para produtores afetados por crises climáticas. Enquanto a FPA projeta um custo de R$ 65 bilhões, a equipe econômica liderada pelo ministro Dario Durigan alerta que o impacto real pode superar R$ 140 bilhões em pouco mais de uma década, caso o texto utilize recursos do Fundo Social do Pré-sal.
“O governo deixou claro que qualquer tentativa de aprovar o projeto na íntegra resultará em veto presidencial e possível judicialização, forçando o setor a considerar uma Medida Provisória com escopo mais restrito,” comentam interlocutores próximos às negociações.
Apesar da disposição para negociar uma MP, o agro mantém a postura de resistência. A exigência por taxas de juros mais baixas, prazos de pagamento estendidos e a inclusão de produtores com perdas de safra reflete a busca por uma paridade que o setor alega ser comum em mercados internacionais. A expectativa agora recai sobre a articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), que caminha no fio da navalha entre a lealdade ao governo e o apoio da bancada ruralista em um ano decisivo para a sucessão na mesa diretora da Casa.





















