A escalada de tensões entre EUA e Irã disparou o preço do barril de petróleo, reacendendo o embate entre o governo Lula e a bancada ruralista por subsídios fiscais.
A disparada de 6% no preço do petróleo nesta quarta-feira (8), motivada pelo recrudescimento do conflito entre Estados Unidos e Irã, gerou um efeito dominó na economia brasileira e no cenário político em Brasília. Com a interrupção das negociações de paz e ataques recíprocos na região do Golfo Pérsico, o governo federal enfrenta pressão renovada do agronegócio para manter benefícios tributários sobre combustíveis.
O cenário coloca em rota de colisão o Palácio do Planalto e a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária). Em pauta, o PLP 114/2026, que discute a redução de impostos sobre derivados de petróleo. A instabilidade internacional torna o tema sensível, uma vez que o governo buscava retomar a normalidade fiscal após prometer o fim gradual de subsídios que pesam no orçamento público.
O dilema dos biocombustíveis e a arrecadação
A disputa vai além dos preços nas bombas. O setor sucroenergético pressiona por isonomia, argumentando que os subsídios à gasolina penalizam o etanol, que detém vantagem competitiva garantida constitucionalmente. A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin, busca incluir salvaguardas que protejam o biocombustível enquanto tenta destinar parte da receita extra gerada pela exportação de petróleo para socorrer as dívidas rurais.
Essa manobra incomodou a equipe econômica, que ameaçou retirar o projeto de tramitação para evitar um rombo nas contas públicas. O governo, inclusive, lida com o vencimento da MP 1340, que taxa as exportações de óleo bruto, e ainda analisa como conciliar as promessas de campanha com a nova realidade geopolítica.
O impasse do ‘PL da Dívida’
Paralelamente, o governo negocia com o setor a viabilidade do PL 5122/2023, que propõe o refinanciamento de dívidas para produtores afetados por crises climáticas. Enquanto a Fazenda projeta um impacto bilionário, o governo adota uma postura firme de resistência.
“O ministro Dario Durigan sinalizou disposição de vetar a proposta e, se necessário, levar o embate ao Judiciário, caso o Congresso tente impor um custo que ultrapasse a capacidade fiscal da União.”
Apesar da disposição da FPA em aceitar uma Medida Provisória (MP) mais enxuta como ponto de partida, o setor ruralista mantém o jogo político em aberto. A estratégia dos parlamentares, nos bastidores, parece ser a de validar um alívio imediato para os produtores enquanto preparam o terreno para avançar com o projeto de lei original, mesmo à revelia dos planos da equipe econômica.
Com o mercado global de energia em plena turbulência, o desenrolar dessas negociações deve ditar o tom da relação entre o Executivo e o Legislativo nos próximos meses. A incerteza quanto à duração do conflito no Oriente Médio adiciona uma variável imprevisível, forçando o governo a equilibrar o custo do combustível interno com a constante pressão por crédito subsidiado vinda do campo.






















