Alta do petróleo por conflito no Oriente Médio acirra pressão do agro por subsídios

Alta do petróleo por conflito no Oriente Médio acirra pressão do agro por subsídios
Alta do petróleo por conflito no Oriente Médio acirra pressão do agro por subsídios - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A escalada das tensões no Oriente Médio reacende o debate sobre subsídios energéticos e a relação entre o governo e o agronegócio.

A recente escalada do conflito entre o Irã e os Estados Unidos, marcada pelo fim das negociações por um cessar-fogo e por bombardeios mútuos, joga luz sobre a complexa relação entre o governo Lula e a bancada ruralista no Congresso Nacional. O aumento súbito nos preços do petróleo intensifica a disputa em torno do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que propõe a redução de tributos federais para conter os custos dos combustíveis no mercado interno.

O cenário geopolítico adverso, com o Irã atacando bases americanas no Bahrein e no Kuwait e os EUA retaliando o território iraniano, cria um ambiente de incerteza econômica global. Essa instabilidade tem potencial para agravar a já tensa negociação entre o Executivo e o setor do agronegócio, que pressiona por mais incentivos fiscais em um momento delicado para as contas públicas.

A disputa pelos subsídios e a competitividade do etanol

A discussão central gira em torno do custo efetivo do PLP 114/2026. O projeto busca mitigar o impacto da alta do petróleo sobre os consumidores brasileiros, mas também ameaça comprometer receitas extraordinárias que poderiam ser obtidas com a valorização do barril no mercado internacional. A proposta ainda inclui a extinção de um imposto de exportação de 12%, previsto na Medida Provisória (MP) 1340, que expira nesta semana.

Enquanto isso, a equipe econômica já havia iniciado um processo de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis. Uma parcela sobre o diesel foi reduzida, e havia a expectativa de que o mesmo ocorresse com a gasolina. A retomada das hostilidades no Oriente Médio, contudo, pode reverter ou atrasar esses planos, alimentando o apetite do agronegócio por novas concessões.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), tem atuado como articulador para reabrir as discussões sobre o PLP 114, contando com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em sua busca por uma nova eleição para a mesa diretora da Casa. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT/RS), demonstrou cautela, aguardando o cumprimento da promessa ministerial de suspender o subsídio da gasolina.

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O setor sucroalcooleiro acompanha atentamente o debate. A ausência de subsídios ao etanol hidratado, combinada com os incentivos à gasolina, afeta diretamente a competitividade do biocombustível. A atual redação do PLP 114, com a relatora Marussa Boldrin (Republicanos/GO) propondo salvaguardas para os biocombustíveis e buscando absorver parte da receita da exportação de petróleo para financiar o agronegócio, gerou um impasse com o governo, que chegou a ameaçar retirar o projeto de tramitação.

O ‘PL da dívida’ e a busca por um acordo

Em outra frente, o agronegócio busca aprovar o PL 5122/2023, apelidado de ‘PL da dívida’. A proposta visa expandir subsídios e financiamentos para produtores rurais do Rio Grande do Sul afetados por crises climáticas, estendendo esses benefícios para todo o país. O governo estima um impacto fiscal superior a R$ 140 bilhões em 13 anos, utilizando recursos do Fundo Social do Pré-sal, enquanto a FPA projeta um impacto de R$ 65 bilhões.

Uma reunião entre a FPA e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, buscou um meio termo. Segundo apurou a reportagem, Durigan teria ameaçado vetar o projeto e até judicializá-lo caso fosse aprovado pela Câmara, oferecendo, em contrapartida, uma medida provisória com subsídios mais restritos.

O agronegócio mostrou-se disposto a negociar a MP, mas condiciona sua aceitação à inclusão de pontos do PL 5122, como crédito subsidiado para produtores que alegam perdas de safra e prazos de pagamento mais extensos, além de taxas de juros menores. O impasse persiste, com o setor argumentando que necessita de subsídios para competir com produtores europeus. Nos bastidores, a estratégia inclui a possibilidade de aceitar uma MP mais enxuta inicialmente, visando a liberação de recursos, mas com o objetivo de aprovar o PL 5122 posteriormente, à revelia das negociações com a Fazenda. A situação demonstra a complexidade da política econômica em tempos de volatilidade geopolítica e as constantes negociações para equilibrar interesses setoriais.

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