O ministro Alexandre Silveira impõe novas diretrizes para o setor mineral brasileiro, exigindo que a exploração de terras raras e cobre seja acompanhada de industrialização local e maior agregação de valor.
O governo federal enviou um recado direto ao mercado e a investidores internacionais: a abundância geológica do Brasil não será mais explorada apenas como fonte de exportação de matéria-prima bruta. Durante o evento CNN Talks, realizado em São Paulo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enfatizou que o acesso às reservas estratégicas do país estará condicionado a contrapartidas que fomentem a tecnologia nacional e a transição energética dentro das fronteiras brasileiras.
A estratégia ganha fôlego em um momento em que a demanda global por insumos de alta tecnologia dispara, impulsionada pelo crescimento de centros de processamento de dados e pela inteligência artificial. Para o MME (Ministério de Minas e Energia), é fundamental que o Brasil utilize essa vantagem competitiva para fortalecer sua base industrial, gerando postos de trabalho qualificados e infraestrutura interna, deixando de ser apenas um fornecedor global de baixo valor agregado.
Soberania além do discurso político
A visão do governo para o subsolo brasileiro é de uma integração profunda entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e impacto social. Segundo Silveira, a soberania sobre os minerais críticos deve ser colocada em prática por meio de exigências claras aos concessionários.
“Precisamos defender a soberania sobre o nosso subsolo, sobre as nossas riquezas, para que elas se voltem tanto empresarialmente, como socialmente e ambientalmente, a favor da nação brasileira. E nós defendemos essa soberania.”
O ministro reforçou que a intenção da pasta não é burocrática, mas focada na criação de ativos macroeconômicos tangíveis. A meta é garantir que o potencial das minas brasileiras reverta em tecnologia própria, transformando o setor em um motor de desenvolvimento regional sustentável.
O desafio do processamento e a escassez de dados
Um dos pontos mais críticos do debate é a disparidade entre as reservas nacionais e a infraestrutura de beneficiamento disponível. O Brasil detém cerca de 25% das reservas mundiais de terras raras — insumos vitais para a produção de ímãs de alto desempenho para turbinas eólicas e veículos elétricos. Contudo, o país ainda enfrenta dificuldades para processar esses minerais em solo nacional.
A situação é ainda mais aguda no caso do cobre. Essencial para modernizar as redes de transmissão e distribuição elétrica, o metal é exportado, enquanto a indústria brasileira carece de insumos para atender à própria demanda.
Para resolver essas ineficiências e dar segurança aos investidores, o governo criou o CNPM (Conselho Nacional de Política Mineral). O objetivo é centralizar o planejamento estratégico do setor. Contudo, o ministro reconheceu que o país corre contra o tempo, citando um gargalo histórico: enquanto potências mundiais já mapearam quase a totalidade de seus territórios, apenas 30% da geologia brasileira foi explorada. Esse déficit de conhecimento científico é visto como o principal entrave para atrair o capital de risco necessário para alavancar, de fato, a nova era da mineração no Brasil.






















