O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) assegurou que o sistema de energia brasileiro está preparado para suportar as variações de carga durante a próxima partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. O jogo, marcado para segunda-feira às 14h, coloca o setor em estado de atenção, uma vez que o horário coincide com o pico de produção das usinas solares.
Para o órgão, o comportamento da demanda durante a partida não deve fugir da normalidade já observada em outras flutuações operacionais. O ONS reforçou que as variações nos níveis de energia são comuns devido à intermitência das fontes renováveis, como a eólica e a fotovoltaica, e que o planejamento atual é capaz de absorver o impacto.
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Apesar da postura confiante do operador, especialistas e nomes de peso do setor demonstram cautela. O ponto central da discussão envolve a dificuldade de monitorar a Geração Distribuída (GD), que cresceu expressivamente no país e sobre a qual o ONS possui visibilidade limitada. Com o jogo ocorrendo sob forte incidência solar, o sistema pode enfrentar um desequilíbrio entre a oferta de energia e a queda repentina na demanda dos consumidores.
Fernando Mosna, diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), destacou que o cenário exige monitoramento constante, especialmente no período pós-jogo. Segundo ele, o retorno súbito das atividades após o encerramento da partida deve gerar uma rampa de subida de carga bastante acentuada, pressionando o sistema elétrico nacional.
A fala de Eduardo Sattamini, presidente da Engie, reflete uma preocupação crescente com a integração de fontes variáveis. O executivo ressaltou que, se a gestão não for precisa, a combinação entre a queda de consumo nacional durante o jogo e a alta oferta de painéis solares pode testar os limites de segurança das redes de distribuição.
O comportamento da rede durante os jogos anteriores reforça a complexidade do cenário. A partida entre Brasil e Escócia, realizada às 19h de uma quarta-feira, causou uma queda de 14,4% na carga de referência, exigindo um ajuste de 8,5 GW logo após o apito final. Eventos realizados em horários distintos, como o jogo contra o Haiti, apresentaram oscilações menores, comprovando que o horário da transmissão é o fator determinante para a estabilidade da rede.
Para o próximo domingo, o ONS já sinalizou alerta amarelo, indicando cautela na operação. A confirmação das medidas preventivas, que incluem o possível corte de usinas de GD tipo III pelas distribuidoras, será decidida na véspera, sempre às 14h, com base nas previsões meteorológicas e nas estimativas de consumo em tempo real. O monitoramento segue rigoroso para garantir que o setor elétrico brasileiro suporte o entusiasmo da torcida sem interrupções no fornecimento.




















