O custo das viagens aéreas no Brasil registrou um salto de 11,2% em maio de 2026, impulsionado pela disparada do preço do combustível de aviação no mercado internacional.
O setor de transporte aéreo brasileiro enfrenta um cenário de pressão nos custos, refletido diretamente no bolso do consumidor. Dados oficiais da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) revelam que a tarifa média das passagens domésticas atingiu a marca de R$ 632,53 em maio deste ano. Este valor representa um incremento de 11,2% quando comparado ao mesmo período de 2025, período em que o custo médio era de R$ 568,96.
Ao analisar uma janela de dois anos, o aumento se mantém expressivo. Em relação a maio de 2024, a elevação é de 7,3%, considerando valores corrigidos pelo IPCA — índice que exclui taxas aeroportuárias extras. Apesar do encarecimento, a procura por viagens não diminuiu; pelo contrário, o país viu um volume inédito de 42 milhões de passageiros nos primeiros cinco meses de 2026, superando a marca histórica de 2000.
A influência do QAV e o cenário internacional
O principal vilão por trás dos reajustes é o QAV (Querosene de Aviação). Segundo levantamentos da ANP, o valor médio do litro atingiu R$ 6,46, um salto de 68,5% em comparação a maio do ano passado. De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), esse insumo já compromete 45% das despesas operacionais das companhias aéreas.
O encarecimento do combustível é uma consequência direta da volatilidade do petróleo tipo Brent no mercado global. Conflitos geopolíticos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevaram a incerteza nos preços da energia, impactando a paridade de preços adotada pelo setor doméstico.
Medidas do governo para mitigar os preços
Para tentar conter a escalada dos custos, o governo federal interveio na carga tributária sobre o querosene. Em abril, houve a desoneração temporária de PIS/Pasep e Cofins sobre a comercialização e importação do combustível. Inicialmente prevista para encerrar em maio, a isenção fiscal foi estendida até o fim de julho de 2026.
O impacto fiscal estimado dessa prorrogação, originalmente planejado para custar R$ 79 milhões em dois meses, será recalculado com base no consumo real e na arrecadação que deixará de entrar nos cofres públicos até o final de julho.
Embora a desoneração tente amenizar o impacto, o mercado continua atento aos desdobramentos globais. Mesmo com o cenário desafiador, a demanda por voos domésticos segue resiliente, indicando que o brasileiro mantém a confiança no setor aéreo, apesar do desafio imposto pelos preços do combustível e pela conjuntura econômica mundial.






















