A energia elétrica lidera o aumento da inflação em maio, impactando o orçamento familiar e a economia nacional.
O mês de maio apresentou um cenário desafiador para o bolso do consumidor brasileiro, com a tarifa de energia elétrica emergindo como o principal motor da inflação. Segundo dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma elevação de 0,58% no período. No entanto, o setor elétrico residencial se destacou com um aumento expressivo de 3,67%, superando outros itens da cesta de consumo e ditando o ritmo de alta do indicador geral.
Essa disparada no custo da eletricidade é atribuída a uma combinação de fatores. Reajustes tarifários em diversas concessionárias e a aplicação da bandeira tarifária amarela – que adiciona um custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos – foram os principais vilões. O gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, ressaltou a conjunção desses elementos como responsável pelo impacto significativo na conta de luz dos brasileiros.
Reajustes localizados e a bandeira amarela elevam o custo da energia
Os aumentos na tarifa de energia elétrica não foram uniformes em todo o país, mas tiveram um peso considerável em diversas capitais. Em maio, cidades como Aracaju (5,91%), Fortaleza (5,59%) e Salvador (4,78%) sentiram o impacto de reajustes que entraram em vigor em abril. Outras localidades, como Campo Grande (12,36% a partir de 24 de abril), Recife (3,86% desde 29 de abril) e Belo Horizonte (5,21% a partir de 28 de maio), também registraram elevações que contribuíram para o cenário nacional.
Apesar desses aumentos pontuais, a energia elétrica residencial, em termos acumulados para 2026, apresenta uma alta de 2,02%, inferior à inflação geral de 3,20% no mesmo período. Contudo, a análise dos últimos 12 meses revela um quadro mais preocupante, com a tarifa elétrica acumulando um aumento de 10,32%, consideravelmente acima do IPCA do mesmo período, que ficou em 4,72%.
Projeções da Aneel indicam continuidade na pressão tarifária
Olhando para o futuro, as projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam para uma pressão contínua sobre as tarifas. A expectativa é de um efeito médio tarifário de 8,6% para 2026, ultrapassando as previsões de alta do IGP-M (5,8%) e do IPCA (4,9%). A Aneel, no entanto, busca mitigar parte desse impacto.
A agência reguladora informou que recursos provenientes do Uso do Bem Público (UBP) serão direcionados para a modicidade tarifária em regiões específicas sob a alçada da Sudam e Sudene. Adicionalmente, consumidores cativos de 22 distribuidoras se beneficiarão de descontos em suas contas. Esses benefícios advêm da repactuação de obrigações de pagamento de centrais geradoras, conforme as Leis 15.235/25 e 15.269/25, demonstrando um esforço para aliviar a carga sobre os consumidores em meio a um cenário de elevação de custos.




















