A Acelen Renováveis e a Iata oficializaram uma parceria estratégica para fomentar o mercado de SAF, buscando diversificar matérias-primas e impulsionar a descarbonização global do setor aéreo até 2050.
A transição energética no transporte aéreo deu um passo importante nesta quarta-feira (10/6). A Acelen Renováveis, braço de energia limpa da Mubadala Capital, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) formalizaram um Memorando de Entendimento voltado ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para a aviação, conhecidos como SAF.
O movimento ocorre em um momento crítico, com o setor se preparando para o endurecimento das metas ambientais do Corsia, o acordo de descarbonização que tornará obrigatórias as reduções de emissões a partir de 2027. Para atingir a neutralidade de carbono até 2050, o SAF é apontado como a alavanca principal, sendo responsável por cerca de 65% da meta global, o que exige um aumento drástico na produção mundial nas próximas décadas.
Tecnologia e inovação no setor de biocombustíveis
A estratégia por trás do acordo envolve uma integração técnica profunda, focada em estabelecer padrões de sustentabilidade e explorar novas rotas tecnológicas. A Acelen enxerga nessa colaboração uma via direta para conectar suas soluções aos principais compradores globais — as companhias aéreas — que buscam alternativas viáveis para substituir o querosene fóssil.
“Descarbonizar a aviação exigirá inovação, diversificação de matérias-primas e colaboração em toda a cadeia de valor. A parceria com a Iata fortalece nosso papel nesse ecossistema e amplia o diálogo sobre os critérios de sustentabilidade e a contribuição que novas rotas tecnológicas e matérias-primas, como a macaúba, podem oferecer para a construção de uma indústria da aviação mais sustentável.”
Aposta na macaúba e expansão na Bahia
Um dos pilares centrais da atuação da Acelen é o potencial da macaúba como insumo agrícola de alta produtividade. A empresa já iniciou o ciclo de investimentos, com um aporte de US$ 1,5 bilhão confirmado no final de maio para a construção de uma biorrefinaria na Bahia, integrada à Refinaria de Mataripe.
Com um plano de investimento total de US$ 3 bilhões, a planta tem capacidade projetada de 1 bilhão de litros de SAF e diesel verde por ano. O cronograma prevê que, inicialmente, a produção utilize óleos residuais, com a integração do óleo de macaúba ocorrendo em uma etapa posterior.
Com cerca de 90% da futura produção já negociada por meio de contratos de *off-take* destinados à Europa e aos Estados Unidos, a Acelen se posiciona como um dos principais *players* globais na corrida pela energia limpa, preparando o terreno para que a aviação comercial cumpra seus compromissos ambientais com o planeta.






















