A Eneva deu início a um projeto estratégico de R$ 6 bilhões no Porto do Pecém, criando um hub de energia térmica e GNL para reforçar a segurança energética nacional.
O setor de energia no Brasil ganha um novo protagonista com o lançamento da pedra fundamental do Hub Ceará, um megaprojeto da Eneva que promete transformar a infraestrutura do Porto do Pecém. Com um investimento robusto de R$ 6 bilhões, o empreendimento aposta no modelo “Gas-to-Power”, integrando geração termelétrica de grande escala com um terminal de regaseificação de GNL (Gás Natural Liquefeito).
Este projeto marca um passo importante para a resiliência do SIN (Sistema Interligado Nacional). Ao combinar capacidade de geração térmica com uma infraestrutura logística de ponta, o complexo atua como um pilar de estabilidade em uma região que avança rapidamente na expansão de fontes renováveis, como a eólica e a solar, que possuem natureza intermitente.
Estrutura e operação do Hub
O coração do projeto é formado pelas usinas Jandaia II e Jandaia III, que somam 1.147 MW de potência instalada. O cronograma de implementação já conta com a contratação antecipada de equipamentos críticos, uma estratégia que blinda o projeto contra flutuações cambiais e gargalos logísticos, garantindo o cumprimento dos prazos perante a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Para sustentar a operação, a construção do chamado “Píer Zero” será fundamental. A estrutura permitirá o transbordo de GNL com uma vazão de 14 milhões de m³/dia, assegurando que o combustível chegue às turbinas com a eficiência necessária para atender à demanda de energia em qualquer horário.
“Sabemos que o Brasil é um país rico em diversas fontes elétricas, mas a térmica tem um papel crucial para a segurança energética, atendendo com capacidade plena, sempre que o ONS demandar, e para garantir o suprimento 24 horas por dia, sete dias por semana.”
Impacto socioeconômico e futuro
O aporte bilionário não se restringe à engenharia elétrica. A maior parte do orçamento, cerca de R$ 5,4 bilhões, será aplicada nas plantas de geração, enquanto os R$ 477 milhões restantes viabilizam a infraestrutura portuária. Para o estado do Ceará, a obra representa uma vantagem competitiva na atração de indústrias que demandam energia intensiva e contínua.
Além da capacidade técnica, o projeto possui um forte viés social. A Eneva projeta a criação de 2.200 vagas de emprego durante o pico das obras, priorizando a contratação local. Com 83% da mão de obra vinda das comunidades vizinhas ao Cipp (Complexo Industrial e Portuário do Pecém), a iniciativa busca transformar o desenvolvimento da infraestrutura em prosperidade direta para a população regional.
A conclusão das obras consolidará o Hub Ceará como uma âncora energética essencial, garantindo que o país disponha de energia firme para transitar por diferentes cenários hidrológicos sem abrir mão da confiabilidade sistêmica.




















