Associações do setor elétrico pressionam para mudar critérios de formação de preços da energia

Associações do setor elétrico pressionam para mudar critérios de formação de preços da energia
Associações do setor elétrico pressionam para mudar critérios de formação de preços da energia | Reprodução: Freepik / Pixabay
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Associações do setor elétrico pedem revisão nos parâmetros de formação de preços da energia para reduzir custos operacionais e aliviar o impacto na tarifa final dos consumidores brasileiros.

Um movimento conjunto de sete entidades representativas do setor elétrico está intensificando a pressão sobre o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). A pauta central é a flexibilização das regras que determinam os preços de energia no país. A expectativa do mercado está voltada para a reunião agendada para a próxima quarta-feira (10), quando o colegiado, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia, definirá novos parâmetros de aversão ao risco aplicados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Desde o ano passado, a metodologia utilizada prioriza uma abordagem extremamente conservadora, conhecida como CVaR 15/40. Na prática, esse critério sobrepondera cenários hidrológicos críticos, o que, segundo especialistas, gera uma volatilidade indesejada e encarece as operações. O grupo de entidades busca reverter esse cenário, argumentando que a atual configuração já não reflete as condições atuais do sistema, especialmente após os leilões recentes de capacidade que fortaleceram a segurança do suprimento.

O impacto financeiro nos custos de energia

O manifesto intitulado “Segurança energética na medida certa” apresenta o parâmetro CVaR 15/30 como uma alternativa técnica viável. De acordo com projeções da Volt Robotics, essa mudança poderia reduzir em R$ 85/MWh o Custo Marginal de Operação (CMO), resultando em um alívio tarifário de 1,74%. Para as associações, insistir nos critérios vigentes representa um custo desproporcional para a sociedade.

“O desafio consiste em garantir a segurança energética na medida adequada, adotando critérios técnicos, econômicos e sistêmicos que preservem a confiabilidade do suprimento sem impor custos adicionais à sociedade”

Os números apresentados pelas entidades são contundentes: manter a metodologia atual pode onerar o consumidor brasileiro em cerca de R$ 3 bilhões, entregando em troca um incremento marginal de apenas 0,4 ponto percentual no armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas. O grupo enfatiza que, com a recente contratação de cerca de 20 GW de capacidade térmica, o sistema já dispõe de lastro suficiente para suportar flexibilizações sem comprometer a estabilidade do abastecimento nacional.

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Perspectivas para o mercado

O pleito é assinado por grandes nomes do setor, incluindo a ABEEólica, Abraceel, Abrace Energia, Abiape, Anace, Cogen e a Frente Nacional dos Consumidores de Energia. A união destas forças evidencia a preocupação com a competitividade da indústria e a sustentabilidade dos contratos no mercado livre.

Para o setor elétrico, o desfecho dessa reunião não impacta apenas o curto prazo, mas dita o comportamento dos preços de energia para os próximos anos. A decisão do CMSE será um divisor de águas: ou o governo mantém o rigor atual em nome de uma prudência extrema, ou adota uma postura de maior eficiência econômica, alinhando a segurança do suprimento com a realidade de custos que o consumidor brasileiro pode suportar. O mercado aguarda, atento, se a sensibilidade técnica irá prevalecer sobre o conservadorismo tarifário.

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