A Câmara dos Deputados discute uma proposta que permite ao governo federal adquirir insumos agrícolas com ágio de até 25% sobre o preço mínimo, visando fortalecer o estoque estratégico nacional.
A Câmara dos Deputados deu início à análise do Projeto de Lei 1384/11, uma iniciativa originalmente apresentada pelo ex-parlamentar Beto Faro (PA). O ponto central da discussão é a flexibilização das regras que regem a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), permitindo que a União realize compras de produtos básicos com um valor até 25% superior aos pisos estabelecidos atualmente.
A medida é vista como um mecanismo estratégico de estabilização do mercado. Diante de um cenário onde a média de mercado dos produtos frequentemente supera o preço mínimo, a defasagem normativa impedia a ação governamental efetiva. A aprovação desta proposta permitiria ao poder público atuar com maior agilidade e competitividade na manutenção de estoques, assegurando o abastecimento nacional em períodos de instabilidade.
Mudanças no programa de ração animal
O debate ganha fôlego com o substitutivo apresentado pelo deputado Zé Neto (PT-BA), relator na Comissão de Finanças e Tributação. Além da alteração no ágio para compras, o texto propõe uma atualização importante no Programa de Venda em Balcão (ProVB). Atualmente focado no milho, o programa passaria a contemplar uma gama mais ampla de insumos voltados à produção de ração animal, atendendo a uma demanda antiga do setor agropecuário por diversificação.
Sobre a relevância da proposta, o relator destacou que a adequação dos valores pagos aos produtores é um passo fundamental para manter a viabilidade econômica dos estoques públicos. Segundo o parlamentar: “A proposta ajusta a realidade das compras públicas às flutuações do mercado, permitindo que o governo não fique desamparado quando os preços praticados superam os pisos vigentes, garantindo assim a segurança alimentar do país”.
Impacto para o setor agro
Embora o texto original da proposta focasse no aumento do volume de estocagem — sugerindo a elevação do limite de 1/12 para 3/12 do consumo anual —, o foco atual do debate parlamentar concentra-se na margem de valor adicional. Essa alteração técnica reflete a necessidade de adaptar a legislação agropecuária brasileira a um mercado de commodities que exige maior dinamismo.
A expectativa agora é de que a aprovação do projeto traga mais previsibilidade para os produtores e um controle mais eficaz sobre os preços dos alimentos. O acompanhamento da votação, que mobiliza integrantes da comissão e diversos setores ligados à produção rural, segue como um dos temas prioritários nas atividades legislativas desta semana. A modernização dessas diretrizes promete ser um divisor de águas para a sustentabilidade e resiliência da cadeia produtiva brasileira.





















