WEG mantém robustez financeira com foco em infraestrutura e data centers, apesar de desafios na energia solar.
O cenário de negócios da WEG apresentou um comportamento misto no segundo trimestre de 2026. Enquanto a diminuição de novos projetos em geração solar centralizada no Brasil trouxe pressão aos resultados, a empresa conseguiu mitigar esses efeitos com um desempenho expressivo em segmentos como a expansão de redes elétricas e a infraestrutura para data centers, especialmente nos Estados Unidos. Essa diversificação estratégica permitiu à companhia atravessar um período de flutuações com relativa estabilidade.
A empresa registrou um lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, o que representa uma ligeira queda de 2,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, houve um aumento de 7% em relação ao primeiro trimestre de 2026. A receita operacional líquida atingiu R$ 10,14 bilhões, com uma redução modesta de 0,6% em base anual. O Ebitda, um indicador chave de performance operacional, somou R$ 2,21 bilhões, apresentando uma retração de 2,1%. A margem Ebitda manteve-se em um patamar saudável de 21,8%.
## Reconfiguração do Portfólio de Negócios
A resiliência da WEG foi significativamente impulsionada pela divisão de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), que respondeu por 36,8% da receita total no trimestre. A queda na receita brasileira de GTD, de 22,9%, foi um reflexo direto da ausência de grandes projetos de energia solar centralizada, contrastando com a performance estável da geração distribuída no país.
Em contrapartida, os mercados de transmissão e distribuição, tanto no Brasil quanto no exterior, mostraram um vigor notável. A entrega de transformadores de grande porte, subestações para projetos de transmissão e equipamentos para redes de distribuição foram fatores cruciais para esse resultado. O mercado internacional, em particular, demonstrou grande dinamismo, com a receita externa de GTD crescendo 5,8% e atingindo R$ 2,1 milhões, impulsionada pela modernização da infraestrutura elétrica nos EUA.
## Data Centers e Equipamentos Industriais em Alta
A divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais, responsável por 51,4% da receita, também se destacou positivamente. A demanda por motores de baixa e alta tensão, bem como painéis de automação, foi impulsionada por segmentos em expansão, como o de óleo e gás e, especialmente, sistemas de ventilação e refrigeração para data centers. Essa área registrou um crescimento de receita de 1,9% no mercado externo e um expressivo aumento de 16,5% no mercado interno.
A aquisição da Marathon, fabricante de geradores, também contribuiu para o bom desempenho, com uma demanda crescente por sistemas de geração de reserva, essenciais para a operação contínua de grandes centros de processamento de dados.
## Investimentos e Perspectivas Futuras
A WEG mantém uma visão otimista quanto ao futuro, evidenciada pela sua carteira de pedidos robusta, que inclui equipamentos cruciais para a infraestrutura elétrica, como transformadores e geradores. Apesar de reconhecer um cenário desafiador, a empresa reafirmou seu compromisso com a expansão industrial, investindo R$ 794,9 milhões na modernização e ampliação de sua capacidade produtiva.
Mais da metade desses investimentos foi direcionada às operações internacionais, com foco em fábricas de transformadores no México, Colômbia e Estados Unidos, além de expansão na China. No Brasil, os aportes concentraram-se na produção de equipamentos para transmissão e distribuição. A empresa reitera sua estratégia de diversificação global para preservar margens operacionais, mesmo diante de uma demanda menor por projetos renováveis no mercado brasileiro. A companhia espera continuar a observar crescimento de dois dígitos em sua receita em dólares no exterior.























