O setor de energia e recursos naturais acelera os investimentos em inteligência artificial e robótica, mas enfrenta desafios cruciais de governança e integração com sistemas legados.
A incorporação de tecnologias avançadas deixou de ser um teste e passou a ocupar o centro das estratégias corporativas no segmento de energia, recursos naturais e industriais (ER&I). De acordo com uma pesquisa recente da Deloitte, a grande maioria das companhias ampliou os aportes financeiros em soluções automatizadas, buscando otimizar ativos e elevar a segurança operacional. No entanto, transformar experimentos pontuais em rotinas industriais exige superar barreiras complexas de infraestrutura e conformidade regulatória.
A transição para o uso em larga escala ganha força em frentes como manutenção preditiva, previsão de geração e gestão de redes elétricas. Com o avanço das ferramentas digitais, as organizações do mercado de transição energética e utilidades públicas redescobrem processos internos para elevar a eficiência, embora a reinvenção completa de modelos de negócios ainda avance em ritmo mais cauteloso.
O Avanço da IA Física no Campo Operacional
A grande marca desse mercado é a forte dependência de ativos físicos. Nesse cenário, cerca de 72% das companhias já aplicam algum recurso de IA física, combinando robótica colaborativa, sensores avançados e gêmeos digitais para monitorar usinas, refinarias e redes de distribuição. A projeção é que esse índice salte expressivamente nos próximos anos, consolidando a automação como pilar de sustentabilidade e produtividade.
A busca por autonomia e segurança também impulsiona o conceito de IA soberana. Grande parte dos executivos prioriza fornecedores locais para garantir o controle rigoroso sobre dados confidenciais e cumprir exigências regulatórias rigorosas, reduzindo a dependência externa de infraestruturas críticas.
Patrícia Muricy afirmou:
Os resultados mostram que as empresas desse segmento já enxergam com clareza onde a inteligência artificial pode gerar valor, mas a captura desse potencial depende da capacidade de escalar iniciativas de forma segura e integrada aos ambientes operacionais.
Governança e Desafios com Agentes Autônomos
A próxima fronteira tecnológica envolve o uso de agentes autônomos capazes de tomar decisões complexas com intervenção humana mínima. Embora a intenção de adotar essas ferramentas seja alta entre os gestores, a maturação dos mecanismos de controle ainda caminha em ritmo inferior, acendendo um alerta para os riscos operacionais e regulatórios.
Especialistas reforçam que a expansão tecnológica precisa vir acompanhada de um redesenho estrutural das equipes e de fluxos de trabalho bem definidos. A escassez de profissionais qualificados e a necessidade de barreiras de segurança rigorosas exigem que as companhias equilibrem inovação e supervisão contínua.
Jefferson Denti afirmou:
É crítico a implementação de mecanismos de supervisão, definição de limites de autonomia, monitoramento contínuo das aplicações e rastreabilidade das decisões.
O futuro da transição energética e das operações industriais dependerá da habilidade dessas organizações em alinhar investimentos robustos com uma governança sólida. Somente assim será possível converter a inovação tecnológica em valor de longo prazo sem comprometer a segurança de infraestruturas essenciais.
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